Com o acesso garantido a R$ 2,6 bilhões de reais em empréstimos, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), assegurou que o montante, que será desembolsado ao longo de quatro anos, terá como destino melhorar a infraestrutura urbana e a mobilidade de Manaus. No entanto, boa parte da quantia será voltada para a quitação da dívida.
Almeida destacou que a estimativa de pagamento da despesa pode variar entre R$ 4,2 bilhões e R$ 4,5 bilhões, dependendo das variações da Selic e do dólar. Segundo ele, desse total, o valor que resta para investimentos será cerca de R$ 500 milhões, enquanto o município precisará pagar cerca de R$ 1,8 bilhão somente neste ano.
Entre as obras previstas, Almeida destacou a ampliação da pista da Avenida Paraíba, que receberá uma nova faixa de rolamento entre a Belém e o Tribunal de Justiça, e a eliminação de semáforos que, segundo o Chefe do Executivo, irão melhorar o fluxo de trânsito. Além disso, o prefeito anunciou que começará as obras de alargamento da Avenida André Araújo ainda neste ano.
“Olha só, nós vamos pagar R$ 1,80 bilhão e só vamos receber 500 milhões de reais. Então, com isso, a gente precisa desses recursos para trabalhar no curto, no médio e com longo prazo, para que a gente possa fazer obras de mobilidade urbana em Manaus e também de habitação (…) Nós vamos dar a oportunidade de colocar a terceira pista do lado direito e quem acessa a Paraíba pela Terezinha e a Salvador, nós vamos eliminar dois semáforos, porque eles vão pegar uma esquerda livre. Nós vamos fazer também ainda esse ano o início das obras de alargamento da André Araújo”, defendeu o prefeito.
Porém, apesar da aprovação do montante bilionário, o empréstimo segue causando divisões na Câmara Municipal de Manaus (CMM). A oposição se uniu para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com o intuito de investigar o uso de empréstimos anteriores feitos pela gestão de Almeida.
Raulzinho (MDB), vice-líder do prefeito, defendeu a aprovação do empréstimo, afirmando que o recurso garante também a construção da “Cidade do Autismo”, voltada para o atendimento de pessoas com TEA.
“Manaus tem a oportunidade de construir a cidade do autismo a partir da Câmara Municipal de Manaus, da aprovação dos vereadores da Câmara Municipal de Manaus. E sabe o que a gente garantiu a cidade de Manaus, a cidade do autismo? Na votação do empréstimo. Eu durmo com a minha consciência tranquila”, afirmou o vereador.
O parlamentar, por outro lado, chegou a receber uma investida do vereador Paulo Tyrone (PMB), que pontuou que a construção do local não dependeria diretamente desse empréstimo, já que ela seria financiada por emendas parlamentares de deputados federais, como o senador Omar Aziz (PSD) e o deputado estadual Daniel Almeida (Avante).
“Só para repor a verdade, quando o senhor se dirige à tribuna e informa que os recursos da Cidade do Autista serão construídos a partir do empréstimo que foi aprovado para esta Casa, não é bem a verdade. A cidade vai ser construída com recursos tanto de emenda parlamentar do senador Omar Aziz, e com emenda parlamentar do deputado Daniel Almeida. Então, o fato de esta casa ter aprovado empréstimo não necessariamente contribui para a construção da Cidade do Autista”, destacou.
Em contrapartida, vereadores aliados ao prefeito, como Sérgio Baré (PRD) e Marco Castilho (UB), se opuseram à criação da CPI neste momento, argumentando que o foco deveria estar no apoio às políticas públicas e na aprovação de projetos que trariam benefícios diretos à população.
“Eu não vejo nenhum motivo de a gente abrir comissão antecipada. A gente está aqui deliberando vários projetos em benefício à população. O clima da Câmara melhorou muito o debate… Não porque eu estou agora na 19ª legislatura, mas a gente tem tido um debate muito qualificado. Eu acredito que qualquer questão de CPI não é o momento agora”, disse Castilho ao Diário da Capital.
Segundo Baré, a fiscalização e investigação de irregularidades, caso houvesse, poderiam ser feitas posteriormente, se necessário. “Se, no caso, a gente averiguar alguma irregularidade no decorrer do processo, aí, sim, cabe realmente uma investigação mais profunda por parte desta casa, através da instalação de uma CPI. Eu acho que agora não é o momento”, informou à reportagem.
Rodrigo Sá (PP), vereador que assinou o pedido da implementação da Comissão, reiterou que a função de uma CPI é, antes de tudo, investigar e apurar os fatos. Ele argumentou que a comissão tem a função legítima de buscar respostas sobre os empréstimos anteriores e como o dinheiro foi utilizado. “O que a gente quer saber? O que foi feito com os recursos obtidos, contraídos nos empréstimos anteriores para a cidade de Manaus? Então, acho que o pedido é coerente, é louvável e a gente, obviamente, assinou porque entende que é pertinente e acredito que a gente vai conseguir as 14 assinaturas e instaurar a CPI”, frisou o parlamentar.
Até o momento, o Diário da Capital apurou que seis vereadores assinaram o pedido. Entre os vereadores, estão: Rodrigo Guedes (PP), autor do pedido, Coronel Rosses (PL), Sá (PP), Zé Ricardo (PT), Salazar (PL) e Capitão Carpê (PL).




