Economia

Indígenas ampliam renda com pesca sustentável do pirarucu no interior do Amazonas

Iniciativa reúne 48 indígenas no Médio Solimões e alia geração de renda, preservação dos lagos e valorização dos conhecimentos tradicionais

Escrito por Redação
1 de novembro de 2026
Indígenas da aldeia Jurupari participam do manejo sustentável do pirarucu, que alia geração de renda e preservação ambiental no Médio Solimões - Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá

O manejo sustentável do pirarucu tem impulsionado a geração de renda e fortalecido a conservação ambiental no território indígena Boca do Jurupari, localizado no Médio Solimões, no Amazonas. A iniciativa reúne 48 indígenas, entre homens e mulheres, que utilizam conhecimentos tradicionais e técnicas de manejo para garantir a atividade pesqueira sem comprometer a preservação da espécie.

O trabalho é desenvolvido principalmente no Lago Jurupari Grande, onde os moradores participam de todas as etapas da atividade, desde o planejamento e monitoramento dos estoques até a captura e comercialização do pescado. A organização comunitária também contribui para proteger os lagos contra a pesca irregular e fortalecer a vigilância do território.

Com apoio técnico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, os indígenas adotam medidas como a contagem dos peixes, a definição de cotas e o acompanhamento das áreas de pesca. O modelo busca equilibrar a exploração econômica do pirarucu com a conservação dos recursos naturais, garantindo condições para a continuidade da atividade.

Os resultados refletem uma mudança significativa na produtividade. Há cerca de dez anos, os pescadores da comunidade levavam até duas semanas para capturar dez pirarucus. Atualmente, o grupo consegue atingir cotas de 260 a 300 exemplares em aproximadamente uma semana, resultado associado à organização coletiva e às práticas de manejo sustentável.

Além de ampliar as oportunidades de renda, a iniciativa fortalece a autonomia econômica e o protagonismo dos povos indígenas na conservação da Amazônia. A experiência da aldeia Jurupari demonstra como a valorização dos conhecimentos tradicionais, aliada ao planejamento e à proteção ambiental, pode contribuir para o desenvolvimento das comunidades e a preservação dos recursos pesqueiros.

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