Sintomas como ansiedade, irritabilidade, desânimo e dificuldade de concentração podem estar relacionados a alterações no funcionamento da tireoide. Localizada na região do pescoço, a glândula produz hormônios essenciais para o metabolismo e o funcionamento de diferentes órgãos, incluindo o cérebro. Segundo a endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora do curso de Endocrinologia da Afya Educação Médica, os desequilíbrios hormonais podem comprometer tanto a saúde física quanto o bem-estar emocional.
No hipotireoidismo, caracterizado pela produção insuficiente de hormônios, os sintomas mais comuns incluem cansaço, desânimo, dificuldade de concentração e manifestações depressivas. Já o hipertireoidismo, provocado pelo excesso hormonal, pode causar ansiedade, nervosismo, irritabilidade e aceleração dos batimentos cardíacos. Essas alterações podem ser confundidas com transtornos emocionais, mas a especialista ressalta que nem todo quadro de ansiedade ou depressão está associado a doenças da tireoide.
Além dos sinais emocionais, o hipotireoidismo pode provocar pele seca, queda de cabelo, constipação intestinal, intolerância ao frio e ganho de peso. No hipertireoidismo, são frequentes tremores, suor excessivo, intolerância ao calor, perda de peso e fraqueza muscular. A presença desses sintomas, especialmente quando persistentes ou associados, deve motivar uma avaliação médica.
O diagnóstico geralmente começa com a análise dos sintomas e exames de sangue, principalmente a dosagem do hormônio estimulante da tireoide (TSH), podendo incluir T4 livre e, em situações específicas, T3. Mulheres, gestantes, pessoas com histórico familiar de doenças tireoidianas e mulheres no período pós-parto merecem atenção especial devido à maior possibilidade de alterações hormonais.
O tratamento varia conforme o diagnóstico. Enquanto o hipotireoidismo costuma exigir reposição hormonal, o hipertireoidismo pode ser tratado com medicamentos, iodo radioativo ou cirurgia, dependendo do caso. A endocrinologista destaca que sintomas emocionais persistentes devem continuar sendo investigados mesmo após a normalização dos hormônios, com acompanhamento de outros profissionais de saúde quando necessário.
