Meio Ambiente

Operação ‘Amazonas Mais Verde’ reforça combate às queimadas em todo o estado

Quase mil servidores atuam no combate aos incêndios; número de ocorrências cresceu mais de 300% no ano de 2026

Escrito por Micaele Souza
23 de setembro de 2026
Equipes reforçam o combate às queimadas no Amazonas durante período crítico de incêndios - Tiago Aníbal/ DC

O Governo do Amazonas reforçou, nesta quarta-feira (23/9), as ações de combate às queimadas no estado durante uma reunião do comitê de crise da Segurança Pública. A Operação Amazonas Mais Verde, lançada em maio, mantém equipes atuando na capital e no interior, com quase mil servidores mobilizados.

Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Orleilso Muniz, o número de incêndios registrados em agosto aumentou mais de 300% em comparação com o mesmo período do ano passado. Considerando todo o ano, o crescimento das ocorrências relacionadas a incêndios já passa de 130%.

A estrutura de combate também foi ampliada. O Corpo de Bombeiros passou de 11 para 25 quartéis fixos no interior do Amazonas e prevê a implantação de mais sete unidades. O Estado também contratou brigadistas e conta com equipes treinadas pelos municípios.

De acordo com o comandante, as condições climáticas, como altas temperaturas e baixa umidade, favorecem a propagação do fogo. No entanto, ele afirmou que a ação humana é apontada como um dos principais fatores para o aumento dos incêndios.

Um dos exemplos citados durante a reunião ocorreu na região do V8, em Manaus. Segundo o Corpo de Bombeiros, as equipes precisaram retornar cinco vezes ao mesmo local em um único dia para combater novos focos de incêndio.

Além do combate direto, as equipes também atuam na prevenção. O Programa de Educação Ambiental do Corpo de Bombeiros já alcançou quase 44 mil pessoas em comunidades rurais e indígenas, com orientações sobre o uso adequado do fogo.

Na Região Metropolitana de Manaus, uma operação integrada entre órgãos ambientais e de segurança também foi reforçada. A atuação abrange 13 municípios, divididos em três eixos, com participação da Polícia Ambiental e apoio de equipes equipadas com drones e internet via satélite para identificar focos de calor e facilitar o deslocamento para áreas de difícil acesso.

A Polícia Militar informou que mantém a Operação Alerta Fogo, que utiliza alertas georreferenciados para verificar possíveis irregularidades. O Comando de Policiamento Ambiental também atua no sul do Amazonas, em municípios como Apuí, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Humaitá e Boca do Acre.

O uso do fogo está proibido no Amazonas por 120 dias, conforme decreto estadual. A medida alcança atividades de limpeza, renovação e manejo de áreas com uso de fogo. A Sema informou que mantém o monitoramento da situação junto ao IPAAM.

Fumaça preocupa rede de saúde

A fumaça também colocou a rede estadual de saúde em alerta. Segundo o secretário-executivo de Assistência de Saúde, Homero de Miranda Leão, crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas estão entre os grupos que precisam de maior atenção.

Entre os sintomas relacionados à exposição à fumaça estão tosse, desconforto respiratório, rinite, dor no peito, náusea e dor de cabeça.

De acordo com o secretário, entre 1º de julho e 22 de setembro, 132 pacientes foram atendidos na rede estadual com problemas respiratórios relacionados à fumaça. Os casos foram acompanhados em unidades de urgência e emergência.

A orientação das autoridades é manter a hidratação, evitar exposição prolongada à fumaça e procurar uma Unidade Básica de Saúde diante de sintomas leves. Em casos mais graves, a recomendação é buscar atendimento de urgência e emergência.

A Defesa Civil também informou que o Amazonas tem atualmente 17 municípios em situação de emergência, 19 em alerta e cinco em situação de atenção por causa da estiagem. A previsão para o próximo trimestre indica pouca chuva principalmente na porção leste do estado, região que também registra temperaturas elevadas.

As autoridades reforçaram que a população deve evitar qualquer tipo de queimada e denunciar possíveis crimes ambientais. Os casos podem ser comunicados à Polícia Militar pelo 190, pelo Disque-Denúncia 181.

Matérias relacionadas