O medo da violência já faz parte da rotina de quase todas as mulheres brasileiras. Uma pesquisa nacional mostra que 98% delas adotam algum tipo de estratégia para reduzir o risco de sofrer violência, mudando comportamentos, trajetos e até escolhas relacionadas ao lazer, trabalho e estudo.
O levantamento, realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, entre 22 e 30 de abril de 2026. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.
Entre as mulheres entrevistadas, 94% afirmaram se sentir inseguras diante da violência no dia a dia. Nos deslocamentos pela cidade, o mesmo percentual declarou sentir medo.
Evitar determinados lugares é a principal estratégia adotada, citada por 90% das mulheres. Outras mudanças também fazem parte da rotina: 83% evitam sair à noite, 69% mudam trajetos habituais e 66% recorrem a carros ou motos por aplicativo para não precisar andar pelas ruas.
O impacto também aparece no lazer. Segundo a pesquisa, 62% das mulheres já mudaram hábitos por medo da violência e 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam.
A insegurança ainda interfere em decisões profissionais e acadêmicas. Quase metade das entrevistadas, 45%, afirmou já ter deixado de aproveitar uma oportunidade de trabalho ou estudo por medo da violência. Outras 44% disseram que já pensaram em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.
Os espaços públicos também estão entre os locais onde as mulheres menos se sentem protegidas. Quatro em cada dez afirmam não se sentir nada seguras em bares, festas e baladas ou em pontos de ônibus e estações.
Para a diretora de Pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê, os dados mostram que a insegurança interfere na forma como mulheres ocupam e circulam pela cidade.
A pesquisa também aponta que 78% das entrevistadas consideram que propostas de combate à violência contra mulheres nas ruas e no transporte público terão influência na decisão de voto nas próximas eleições.
Entre as medidas consideradas importantes pelas mulheres estão a ampliação dos canais de denúncia e apoio às vítimas, apontada por 95% das entrevistadas, além da melhoria da infraestrutura urbana, como transporte público, iluminação e espaços públicos, citada por 93%.
