Cidade

Sem asfalto há 24 anos, moradores tiram do próprio bolso e bancam obras no Novo Israel

Na Rua Alexandrina Camaroa, buracos, erosões e trechos sem pavimentação transformaram o acesso às residências em um desafio diário

Escrito por Micaele Souza
3 de setembro de 2026
Há 24 anos, moradores enfrentam a falta de asfalto para chegar em casa - Foto: Walber Breno/ DC

Há 24 anos, os moradores da Rua Alexandrina Camaroa, no bairro Novo Israel, zona Norte de Manaus, convivem com um problema que já deveria ter sido resolvido há muito tempo: a falta de infraestrutura. O que deveria ser uma via de acesso às casas se transformou em um caminho marcado por buracos, crateras, erosões e trechos sem asfalto.

E, diante da demora do poder público, quem precisou encontrar uma saída foram os próprios moradores.
Para conseguir chegar às casas, a comunidade teve que colocar a mão no bolso e construir passagens improvisadas. Em um dos pontos da rua, uma moradora precisou improvisar uma ponte de madeira para que os filhos pudessem passar pelo local e chegar à escola.

A técnica de enfermagem Cláudia Sansão, moradora da região, conta que o problema se agrava durante o período de chuvas, quando o lixo levado pela água se acumula e contribui para a deterioração do terreno.

“A vizinha já caiu, quebrou lá no terreno dela e teve que colocar aquela ponte para as crianças passarem”.

Além dos riscos de acidentes, os moradores relatam a presença frequente de animais no entorno, como ratos, cobras e baratas, principalmente em áreas onde há acúmulo de lixo.

Em outro trecho da rua, uma passagem de cimento foi construída por um morador para conseguir sair de casa. O vigilante Joel da Silva afirma que a comunidade espera há mais de duas décadas por uma intervenção do poder público.

“Nós tivemos que tirar do nosso próprio rendimento mensal pra podermos ter uma qualidade de vida melhor e pagarmos pelo nosso direito de ir e vir”, reclamou.

O relato expõe uma realidade difícil de justificar: depois de 24 anos de espera, moradores continuam pagando para conseguir simplesmente entrar e sair de casa com segurança. O programa Asfalta Manaus passa pelo entorno e por outros trechos da rua, mas o problema que poderia ser minimizado continua sem solução, deixando a população à espera de uma resposta.

Enquanto a comunidade improvisa pontes e passagens para driblar os problemas da rua, a solução definitiva continua sem chegar. Para quem vive no local, a espera já deixou de ser apenas incômoda e passou a fazer parte da rotina.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Manaus, por meio da Seminf e da Semulsp, para buscar esclarecimentos sobre a situação, mas, até o momento, não houve resposta.

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