O Governo do Amazonas realizou, na quarta-feira (19/8), o repasse de R$ 3 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), referente ao custeio do Passe Livre Estudantil da rede estadual. Segundo o Estado, o pagamento foi antecipado para contribuir com a manutenção do benefício e do serviço de transporte coletivo. O valor segue o montante mensal de R$ 3 milhões estabelecido para a participação estadual no custeio da gratuidade estudantil.
O episódio, porém, ganhou contornos políticos em meio à ameaça de nova paralisação dos rodoviários. O presidente do sindicato da categoria, Givancir Oliveira, havia anunciado uma greve caso os trabalhadores não recebessem os salários. Posteriormente, afirmou que a paralisação havia sido suspensa após um pagamento atribuído à Prefeitura de Manaus como sendo a parcela de responsabilidade do Estado. A versão, contudo, entra em conflito com a informação de que o governo estadual efetuou o repasse de R$ 3 milhões. O episódio reacende a disputa sobre quem deve responder pelos problemas financeiros do sistema.
A discussão não é nova. Em julho, o Governo do Amazonas anunciou o pagamento de R$ 18 milhões ao Sinetram, correspondentes a seis parcelas de R$ 3 milhões referentes ao período de fevereiro a julho. Na ocasião, o vice-governador Serafim Corrêa afirmou que o valor obedecia à decisão judicial que estabeleceu a participação estadual no Passe Livre Estudantil.
Ao mesmo tempo, documentos apresentados durante o embate entre Estado e Prefeitura apontaram uma situação financeira distinta no âmbito municipal. Uma petição do próprio Sinetram na Justiça do Trabalho apontou passivo de aproximadamente R$ 190,4 milhões da Prefeitura de Manaus com o sistema, referente a valores de 2025 e 2026. O dado foi utilizado pelo Governo do Amazonas para contestar a tentativa de atribuir ao Estado a responsabilidade integral pela crise.
Em pleno período eleitoral, a crise do transporte coletivo passou a ser também palco de disputa política. Para o usuário, entretanto, a consequência é concreta: cada anúncio de greve significa incerteza para quem depende dos ônibus para trabalhar, estudar e circular pela cidade. A sucessão de versões sobre quem deve pagar a conta reforça a necessidade de que Estado, Prefeitura, empresas e trabalhadores apresentem informações documentadas e soluções efetivas, em vez de transformar o transporte público em mais um capítulo da disputa eleitoral.
