O jornalista amazonense Ytallo Byancco teve um artigo publicado na revista científica espanhola Cuadernos de Educación y Desarrollo, a partir de sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas. O trabalho foi orientado pelo professor Adan da Silva e aborda questões de cultura e identidade na Amazônia.
O estudo “Entre o real, o simbólico e o imaginário: traçados históricos da construção do Festival de Parintins como espaço de mediação cultural” analisa o Festival Folclórico de Parintins além do espetáculo, destacando-o como um espaço de construção de sentidos sobre a Amazônia e seus povos. A pesquisa, inspirada em vivências pessoais do autor com o boi-bumbá, também reflete sobre como determinadas representações, especialmente sobre povos indígenas, são construídas e naturalizadas ao longo do tempo.
A vivência do autor, aliada à formação em jornalismo e à pesquisa acadêmica na Universidade Federal do Amazonas, transformou a memória, cultura e identidade amazônica em objeto de estudo.
O trabalho destaca o papel da universidade na produção de conhecimento sobre a própria Amazônia e analisa como o Festival Folclórico de Parintins constrói e reproduz imagens sobre os povos indígenas, evitando julgamentos e investigando a forma como esses elementos são representados, entre valorização cultural e possíveis estereótipos.
Nesse percurso, o artigo dialoga com a perspectiva da descolonização do saber, campo que questiona visões historicamente impostas sobre a Amazônia e valoriza formas de conhecimento produzidas a partir das experiências locais, das memórias coletivas e dos saberes indígenas. Em linguagem direta, trata-se de olhar a Amazônia por dentro, reconhecendo seus sujeitos como produtores de pensamento, cultura e ciência.
Para Byancco, o ponto central da pesquisa é compreender quem constrói essas imagens, de que lugar elas são narradas e como passam a circular no imaginário social. “A pesquisa não é para dizer se é bom ou ruim, mas para entender onde, como e por quem essas imagens são construídas. Elas aparecem nos livros, nos veículos de comunicação e, principalmente, nas linguagens visuais, como televisão, cinema, fotografia e espetáculos culturais”, afirma.
Ao transformar uma experiência vivida no Amazonas em reflexão acadêmica de alcance internacional, o estudo mostra que a ciência produzida na região é essencial para desmontar estereótipos, reposicionar narrativas e afirmar a Amazônia como território de pensamento, educação e produção intelectual.
