O Brasil registrou um aumento de 44,3% nas internações por lesões autoprovocadas entre adolescentes e jovens na última década. O dado é de um estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública, com base em registros do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), que apontou 18.382 internações e 261 óbitos entre 2013 e 2023.
Diante desse cenário, especialistas alertam para a importância de identificar precocemente sinais de sofrimento psíquico. A psicóloga educacional do Núcleo de Experiência Discente (NED) da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, Clarissa Lima, explica que muitos adolescentes manifestam o sofrimento de forma silenciosa.
“Além das mudanças emocionais e comportamentais, alguns jovens podem apresentar comportamentos autolesivos como forma de aliviar dores emocionais internas que não conseguem verbalizar”, afirma.
Segundo a especialista, a autolesão nem sempre está relacionada ao desejo de morrer, mas pode representar uma tentativa de lidar com emoções intensas. Ela orienta que pais e responsáveis estejam atentos a mudanças de comportamento e ofereçam um ambiente de acolhimento e escuta.
Entre os fatores associados ao aumento do sofrimento psíquico estão a pressão acadêmica, conflitos familiares, bullying e a influência das redes sociais. “Existe uma exposição constante à comparação e à busca por validação, o que impacta diretamente a saúde emocional dos adolescentes”, destaca.
A psiquiatra e docente da Afya Educação Médica Manaus, Alessandra Pereira, reforça que as lesões autoprovocadas devem ser tratadas com seriedade. “Isso não é fase ou drama. Existe um sofrimento psíquico real que precisa ser acolhido e tratado”, afirma.
Segundo a médica, sinais como falas sobre morte, isolamento, desesperança e aumento da frequência das lesões exigem avaliação profissional. Ela destaca ainda que os avanços da medicina e da psicoterapia ampliaram as possibilidades de tratamento.
“O mais importante é entender que existe tratamento, saída e caminho. Intervir cedo salva vidas”, conclui.
