Com a aproximação da Copa do Mundo de 2026, que terá início em 11 de junho e coincidirá com o período das festas juninas, aumenta também a expectativa dos torcedores da Seleção Brasileira. A cada gol ou vitória do Brasil, a tradicional soltura de fogos de artifício costuma marcar as comemorações. No entanto, especialistas alertam que a prática pode causar uma série de impactos negativos para animais, pessoas e para o meio ambiente.
Os fogos com estampido produzem altos níveis de poluição sonora, afetando principalmente cães, gatos e aves. Com a audição mais sensível, muitos animais interpretam o barulho como uma ameaça, o que pode provocar reações de pânico, fugas, acidentes e até mortes. O Conselho Federal de Medicina Veterinária recomenda que os tutores mantenham os animais em ambientes fechados, tranquilos e permaneçam próximos durante os períodos de maior movimentação.
Os efeitos também atingem pessoas neurodivergentes, especialmente aquelas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que podem sofrer crises de ansiedade e desregulação sensorial. Idosos e pacientes internados em hospitais também estão entre os grupos mais vulneráveis aos impactos causados pelo excesso de ruído, que pode provocar alterações no sono e agravar problemas de saúde.
Além do desconforto, os fogos representam riscos de acidentes. Dados do Ministério da Saúde apontam que o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 1.548 internações por ferimentos causados por fogos de artifício entre 2019 e 2022, média de um caso por dia. Apenas entre janeiro e setembro de 2024, foram contabilizados 288 atendimentos, número 6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Médicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão alertam que o uso inadequado desses artefatos pode resultar em queimaduras graves, fraturas, amputações e até mortes.
Os impactos também alcançam o meio ambiente. A queima dos fogos libera partículas finas e metais tóxicos, como chumbo, cobre e bário, além de gases poluentes que permanecem suspensos no ar e estão associados ao aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares.
No Brasil, não existe uma legislação federal que proíba os fogos com estampido. Entretanto, desde 2023, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) permite que estados e municípios criem leis próprias para restringir ou proibir o uso desses artefatos. No Amazonas, Manacapuru é o único município que possui legislação específica proibindo fogos de artifício com estampido.
