Uma visita do vereador Coronel Rosses (PL) à Universidade Federal do Amazonas (Ufam), nesta terça-feira (5/6), terminou em confusão com professores e estudantes. O episódio ocorre poucos dias após a repercussão de cartazes políticos no campus, que levantaram debate sobre os limites da liberdade de expressão na instituição.
O parlamentar esteve na universidade acompanhado de um grupo de jovens previamente acusado de vandalismo. A presença gerou reação imediata. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que Rosses discute com um professor e afirma ter livre acesso ao local. “Sou funcionário público, sou vereador em Manaus. Tenho o direito de entrar onde eu quiser. Quem vai me tirar daqui?”, questionou.
Durante a discussão, o professor Luiz Antônio tentou intermediar o diálogo, mas o clima se intensificou. “Não aponta o dedo para mim. Me respeita. Você está intimidando os alunos”, respondeu o docente. Estudantes também participaram do episódio, com manifestações e palavras de ordem, enquanto o grupo deixava o campus sob vaias.
Em nota, o vereador afirmou que esteve no local após denúncias de restrição de acesso por motivos ideológicos e classificou a reação como “hostilidade” e “cerceamento de liberdade”. Ele também criticou o conteúdo de cartazes exibidos na universidade, afirmando que “é inadmissível que um ambiente que deveria ser o templo do saber seja transformado em território de exclusão e tribunal ideológico”.
Até o momento, a Ufam não se pronunciou oficialmente.
Análise aponta desvio de foco e questiona atuação de vereador em conflito na Ufam
O caso também gerou críticas de especialistas, que questionam a atuação do parlamentar em um ambiente fora de sua competência direta e destacam a necessidade de foco em demandas estruturais da capital.
O cientista político Carlos Santiago criticou a atuação do vereador Coronel Rosses e questionou o envolvimento do parlamentar em um episódio dentro de uma instituição federal. Para ele, a situação evidencia possível desalinhamento em relação às atribuições de um vereador.
Santiago destacou que Manaus enfrenta problemas estruturais que deveriam concentrar a atenção do Legislativo municipal, como a precariedade do transporte coletivo, falhas no planejamento urbano, descarte irregular de lixo e o avanço da violência em diferentes bairros.
O especialista também apontou desafios na área da educação, com déficit de vagas em creches, além do crescimento desordenado da cidade, sem políticas habitacionais e ambientais consistentes.
Segundo ele, a atuação parlamentar deve estar voltada a essas demandas locais. O envolvimento em conflitos fora da esfera municipal, como em uma universidade federal, levanta questionamentos sobre a compreensão do papel institucional.
“Quando um parlamentar municipal se envolve em conflitos dentro de uma universidade federal, que não está sob sua competência, isso levanta questionamentos sobre o entendimento de suas funções”, disse.
Para Santiago, a população espera respostas concretas para problemas cotidianos. Ele ressalta que o enfrentamento de questões estruturais exige mais do que embates pontuais, demandando soluções efetivas em áreas como mobilidade urbana, segurança pública e qualidade de vida.
