Política

Cartazes políticos na Ufam levantam debate sobre limites à liberdade de expressão

O debate sobre liberdade de expressão foi reacendido após um grupo entrar na Universidade Federal do Amazonas e rasgar cartazes de estudantes com posicionamentos políticos, gerando forte repercussão nas redes sociais

Escrito por Micaele Souza
30 de abril de 2026
Cientista político defende que caso seja apurado e que, se preciso, medidas sejam tomadas contra o grupo que agiu na universidade - Foto: Reprodução

No início desta semana, influenciadores ligados a um grupo político de direita entraram no Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), da Universidade Federal do Amazonas, em Manaus, e retiraram cartazes fixados por estudantes com mensagens de cunho político.

A ação provocou reação imediata de alunos e professores, especialmente porque toda a situação foi registrada e divulgada nas redes sociais.

Vídeos publicados na internet mostram o momento em que os cartazes são rasgados pelo grupo, formado por Beatriz Darley, Kelly Mestanza, Samuel Monteiro e Messias Trindade. Durante a ação, um estudante questionou a atitude, dando início a uma discussão no local. O grupo afirmou ter recebido ameaças durante o confronto.

Em uma das falas registradas em vídeo, um dos envolvidos afirma que “universidade não é lugar de ideologia”. Assista abaixo:

O episódio ampliou o debate nas redes sociais sobre liberdade de expressão, pluralidade de ideias e os limites entre manifestação política e censura dentro do ambiente acadêmico.

Respeito às diferenças é fundamental

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 assegura, em seu artigo 5º, a liberdade de manifestação do pensamento, desde que respeitados os direitos de terceiros.

Para analisar o caso, o cientista político Carlos Santiago comentou sobre os impactos do episódio no ambiente universitário.

A universidade, além de um espaço para formação de pessoas, para um exercício da profissão, é também um lugar de encontro de culturas, de posicionamentos políticos e ideológicos, em que há uma razão expressa, uma contra razão e um debate produtivo buscando sempre a evolução do conhecimento e o respeito. Mas quando esse ambiente é agredido com vandalismo, com posicionamentos de censura contra os princípios democráticos e também contra o patrimônio público, isso se transforma em um crime”, afirmou.

Segundo ele, o caso deve ser apurado.

“Abrir o inquérito policial, promover uma investigação para identificar todos os envolvidos neste ato anti-democrático contra o patrimônio público e ao final do inquérito enviar ao Ministério Público Federal para que ele analise e promova ou não as medidas judiciais cabíveis”, disse.

Carlos Santiago também defendeu a manutenção da universidade como espaço democrático.

“O mais importante é que a universidade continue sendo o espaço da diversidade, da liberdade, de posicionamentos, de encontro, de saberes, de ideias, de ideologias, mas sempre respeitando o contraditório. É assim que a sociedade evolui”, destacou.

O caso segue repercutindo entre estudantes, docentes e usuários das redes sociais.

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