A participação das mulheres entre os donos de negócios no Amazonas cresceu nos últimos anos, mas ainda enfrenta desafios, especialmente no comércio digital. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AM) mostram que o percentual passou de 25% em 2012 para 30,8% em 2025.
Levantamento realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o setor de serviços concentra 44,5% dos empreendimentos liderados por mulheres, somando cerca de 175,7 mil empreendedoras no estado.
Com a expansão da internet, redes sociais como Instagram, Facebook e WhatsApp passaram a funcionar como vitrine e canal de vendas para pequenos negócios. O ambiente digital ampliou o alcance dos produtos e facilitou o contato direto com clientes.
Apesar das oportunidades, especialistas alertam para riscos ligados à falta de regularização das atividades.
A advogada tributarista Keltryn Neris explica que vendas realizadas pelas redes sociais também estão sujeitas às regras fiscais, incluindo o recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
“Mesmo quando a venda ocorre por meio de redes sociais, trata-se de uma operação comercial sujeita às regras tributárias. A ausência de nota fiscal ou o não recolhimento do imposto pode resultar em autuações e penalidades fiscais”, afirma.
Segundo a especialista, muitas empreendedoras iniciam as atividades sem considerar obrigações como emissão de nota fiscal e aplicação do Diferencial de Alíquota (Difal), exigido em vendas interestaduais.
“Emitir nota fiscal, compreender as regras do ICMS e do Difal e manter a atividade regularizada são medidas essenciais para evitar problemas e garantir segurança jurídica ao empreendimento”, acrescenta.
Para o economista Altamir Cordeiro, o crescimento do empreendedorismo feminino tem impacto direto na economia local, mas ainda convive com altos índices de informalidade.
“O empreendedorismo feminino no Amazonas representa quase 30% dos negócios, principalmente nas áreas de serviços e comércio. No entanto, a informalidade ainda é bastante grande. Esse é o grande desafio a ser vencido por instituições que atuam na formação de empreendedores e no fomento, visando aumentar o número de empreendedores formais, principalmente femininos”, afirma.
Na prática, as redes sociais se tornaram a principal porta de entrada para novos negócios.
A empreendedora Luana Galucio, que atua há quatro anos com a marca Artprint, afirma que o ambiente digital é central para as vendas.
“O ambiente digital é o motor central do meu negócio. O Instagram e o Facebook atuam como minha vitrine e catálogo, sendo fundamentais para a construção da marca e do desejo de compra. Já o WhatsApp tem sido o meu principal canal de conversão e relacionamento direto, onde consigo fechar vendas pela proximidade em grupos”, relata.
Ela destaca, no entanto, que a formalização ainda gera dúvidas.
“A maior dificuldade está na transição da informalidade para a formalização, especialmente em entender o emaranhado de exigências fiscais, como a emissão de nota fiscal e o cálculo do ICMS”, afirma.
A nutricionista Bryanna Santos também aponta dificuldades no início da atuação digital.
“A expansão da internet tornou mais fácil a divulgação de vários serviços. Na nutrição não foi diferente. Hoje consigo aumentar meu número de pacientes por meio do Instagram, mas tive muitas dúvidas e dificuldades sobre as obrigações tributárias”, relata.
Especialistas reforçam que o crescimento do comércio digital exige que as empreendedoras estejam atentas às exigências legais para evitar prejuízos e garantir segurança nas operações.
