Economia

Copom reduz Selic para 14,75% ao ano e inicia ciclo de cortes após quase dois anos

Decisão segue expectativa do mercado e marca primeira redução após cinco reuniões consecutivas de manutenção em 15%

Escrito por Redação
18 de março de 2026
À frente do Banco Central, Gabriel Galípolo conduz reunião do Copom que reduziu a Selic para 14,75% ao ano. Foto: Raphael Ribeiro/ Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (18), reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para 14,75% ao ano. O corte ocorre após a taxa permanecer em 15% ao ano nas últimas cinco reuniões do colegiado.

A decisão já era esperada por agentes do mercado financeiro, diante de sinalizações recentes do próprio comitê sobre o início de um processo de flexibilização da política monetária.

Em ata divulgada anteriormente, o Copom indicou a possibilidade de redução dos juros ao avaliar o cenário econômico. “Após a análise de um amplo conjunto de informações, incluindo a dinâmica recente da inflação e os sinais mais claros de transmissão da política monetária, considerando suas defasagens, o Comitê julgou adequado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião”, afirmou o colegiado.

O Copom é responsável por definir o nível da Selic, principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. A taxa influencia diretamente o custo do crédito, o consumo e os investimentos no país. Em geral, juros mais elevados tendem a conter a atividade econômica e pressionar a queda de preços, enquanto reduções estimulam o consumo e a produção.

Apesar do início do ciclo de cortes, projeções do mercado financeiro indicam cautela quanto à trajetória dos juros nos próximos anos. Segundo estimativas do relatório Focus, a Selic deve encerrar o ano em 12,25% ao ano.

As previsões para os anos seguintes apontam taxas ainda elevadas: 10,50% em 2027, 10% em 2028 e 9,50% em 2029. O cenário indica que o mercado não projeta a taxa básica abaixo de dois dígitos até o fim do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2026, nem durante o atual mandato do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que se encerra em 2028.

O calendário de reuniões do Copom para 2026 prevê encontros ao longo do ano, incluindo as datas de 27 e 28 de janeiro; 17 e 18 de março; 28 e 29 de abril; 16 e 17 de junho; 4 e 5 de agosto; 15 e 16 de setembro; 3 e 4 de novembro; e 8 e 9 de dezembro.

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