O vereador Coronel Rosses (PL) reafirmou, nesta segunda-feira (16/3), que a eleição municipal de 2024 em Manaus foi marcada por fraude e manipulação eleitoral. A declaração foi feita durante o Pequeno Expediente na Câmara Municipal de Manaus (CMM), em referência a uma investigação da Polícia Federal que aponta indícios de compra de votos envolvendo líderes religiosos e pessoas ligadas ao prefeito David Almeida (Avante).
Segundo o parlamentar, o caso ultrapassa os limites de um simples crime eleitoral e representa, em suas palavras, uma “abominação contra a fé e contra a democracia”. Rosses citou a denúncia já publicada no portal Diário da Capital, na qual a Polícia Federal identifica o genro do prefeito como articulador de um suposto esquema de compra de votos com pastores evangélicos.

“Até então isso era tratado como suposição. Mas agora a própria Polícia Federal aponta que esse tipo de prática realmente aconteceu”, afirmou o vereador em plenário.
De acordo com Rosses, agentes federais teriam flagrado a distribuição de envelopes com R$ 200 em dinheiro na véspera do segundo turno das eleições municipais. O episódio, segundo ele, teria ocorrido em um centro de convenções ligado a uma igreja evangélica da capital amazonense.
Ainda segundo o parlamentar, pastores teriam sido convocados para participar do encontro e assinar listas para receber os valores, sob ameaça de restrição de benefícios caso não comparecessem. Para Rosses, o episódio evidencia a instrumentalização da fé para fins eleitorais.
“Enquanto cidadãos de bem saíam de casa para votar com esperança, a família Almeida transformava a casa de Deus em um balcão de negócios”, declarou.
O vereador também afirmou que perícia realizada em celulares apreendidos pela Polícia Federal teria identificado planilhas com o número de fiéis vinculados à igreja citada no caso. Segundo ele, os dados indicariam a utilização da estrutura religiosa como mecanismo de mobilização eleitoral.

Durante o discurso, Rosses também mencionou conexões entre a investigação e a Operação Erga Omnes, que apura supostas irregularidades envolvendo pessoas próximas ao prefeito.
Em tom crítico, o parlamentar acusou a base governista de ignorar as denúncias e questionou a falta de repercussão do caso. “O que vemos é gente defendendo que a eleição de 2024 foi justa. Mas há provas concretas de que houve uma operação criminosa, fria e calculada. A ‘direita’ foi roubada em 2024”, afirmou.
A denúncia citada pelo vereador integra um conjunto de investigações que seguem em apuração pela Polícia Federal e pela Justiça Eleitoral. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre o caso.
