O presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, afirmou, em entrevista ao Diário da Capital, que pesquisas eleitorais realizadas no interior do Amazonas enfrentam dificuldades estruturais para captar com precisão a opinião do eleitorado, especialmente nas áreas rurais. Segundo ele, muitos institutos concentram os levantamentos nas zonas urbanas, o que pode gerar distorções na leitura do cenário político estadual.
De acordo com Sousa, a limitação ocorre principalmente porque grande parte das pesquisas é realizada por telefone ou em centros urbanos, deixando de fora comunidades de difícil acesso. “O interior tem uma realidade diferente. Muitas vezes o instituto concentra a pesquisa na cidade, mas a maior parte da população está na área rural”, afirmou.
O dirigente municipalista citou como exemplo o município de Rio Preto da Eva, onde foi prefeito. Segundo ele, a cidade possui cerca de 53 mil habitantes e aproximadamente 23 mil eleitores, mas a distribuição populacional revela um cenário desigual entre zona urbana e rural. “Lá, temos cerca de 10,5 mil famílias na área rural e cerca de quatro mil na área urbana. Se a pesquisa se concentra apenas na cidade, ela não representa o eleitorado como um todo”, explicou.
Sousa também destacou que o acesso a diversas comunidades do interior do estado depende de deslocamentos longos, muitas vezes por via fluvial. Em alguns casos, segundo ele, a viagem pode levar dias. “Existem comunidades em municípios como Atalaia do Norte em que se leva até dois dias para chegar. Isso mostra como é difícil para um instituto de pesquisa alcançar esse eleitor”, disse.
Na avaliação do presidente da AAM, essa dificuldade logística acaba favorecendo a atuação das administrações municipais, que possuem estrutura e presença constante nas comunidades rurais. Ele ressaltou que serviços públicos e políticas locais acabam tendo forte influência na formação da opinião do eleitor nessas regiões.
Para Sousa, essa lacuna metodológica faz com que parte significativa do eleitorado do interior fique fora do retrato apresentado pelas pesquisas, já que muitos institutos concentram seus levantamentos justamente onde o eleitorado é proporcionalmente menor.
