Política

MDB repudia charge considerada machista contra liderança indígena Vanda Witoto

Publicação que ridiculariza a filiação partidária da ativista gerou reação política e reacendeu debate sobre violência política de gênero e racismo no Amazonas

Escrito por Rosianne Couto
11 de março de 2026
Charge que circulou nas redes sociais motivou denúncia de violência política contra Vanda Witoto — Foto: Reprodução/Revista Cláudia

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) no Amazonas divulgou, nesta terça-feira (10/3), uma nota pública de repúdio após a circulação de uma charge considerada ofensiva contra a liderança indígena Vanda Witoto. A ilustração, compartilhada nas redes sociais, retrata a ativista de forma estereotipada e a associa, de maneira pejorativa, à sua recente filiação ao partido, o que provocou críticas e denúncias de violência política de gênero e racismo.

Na imagem, Vanda aparece caricaturada com trajes indígenas e em uma posição considerada humilhante diante do senador Eduardo Braga, principal nome do partido no estado, acompanhada da frase “Ajoelhou, tem que rezar”. A interpretação predominante entre aliados e organizações indígenas é de que a charge tenta desqualificar a atuação política da liderança ao sugerir submissão após sua entrada na legenda.

Em nota, o MDB Amazonas afirmou que a liberdade de expressão é um valor democrático, mas ressaltou que ela não pode ser utilizada para promover ataques machistas, sexistas ou que desrespeitem a dignidade das mulheres, especialmente mulheres indígenas que atuam na vida pública. O partido também destacou que Vanda Witoto é uma liderança reconhecida e reafirmou solidariedade diante do episódio. Leia a nota na íntegra:

A própria ativista denunciou o caso como violência política de gênero. Em publicação nas redes sociais, Vanda afirmou que ataques desse tipo fazem parte de uma estrutura histórica que tenta afastar mulheres, sobretudo indígenas, dos espaços de decisão. Segundo ela, a situação já está sendo encaminhada aos órgãos competentes para investigação.

Veja o vídeo:

O episódio reacende o debate sobre violência política de gênero no Brasil, prática caracterizada por ataques, intimidações ou tentativas de deslegitimar mulheres em razão de sua participação na vida pública. No Amazonas, onde lideranças indígenas têm ampliado presença em partidos e instituições, especialistas apontam que esse tipo de ataque também expõe a persistência do racismo e da misoginia no ambiente político.

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