Economia

Suframa completa 59 anos como pilar do desenvolvimento econômico da Amazônia

Autarquia federal consolida Polo Industrial de Manaus, amplia empregos e reforça modelo que alia crescimento e preservação ambiental

Escrito por Rebeca Beatriz
28 de fevereiro de 2026
Autarquia completa 59 anos de atuação neste sábado (28). Foto: Divulgação Suframa

Com a floresta em pé e foco no agronegócio, na indústria e na geração de empregos, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) celebra 59 anos como protagonista de um dos principais modelos de desenvolvimento econômico do país.

Criada para impulsionar a economia da região, a Suframa consolidou o Polo Industrial de Manaus (PIM) e fortaleceu setores que atualmente movimentam empregos e investimentos em toda a Amazônia.

Muito além das florestas e dos rios, a Amazônia reúne atividades que vão do agronegócio ao turismo, do bionegócio à indústria, ao comércio e ao desenvolvimento regional. Nesse cenário, a Zona Franca de Manaus se firma como uma força produtiva capaz de conectar setores e transformar incentivos fiscais em crescimento econômico.

Modelo Zona Franca

À frente desse modelo está a Suframa, responsável por coordenar e executar as políticas que sustentam o Polo Industrial de Manaus. Ao longo de quase seis décadas, a autarquia atua na atração de investimentos e na garantia de que desenvolvimento econômico e preservação ambiental caminhem juntos.

O presidente da Suframa, Bosco Saraiva, destacou que o órgão coordena a política pública de desenvolvimento regional baseada na Zona Franca de Manaus e fiscaliza os incentivos fiscais concedidos à indústria, ao comércio e ao setor agropecuário.

“A Suframa é o órgão coordenador dessa política pública que é a política de desenvolvimento da nossa região a partir da zona franca de Manaus. Ela faz a fiscalização das vantagens comparativas, que são os incentivos fiscais que são oferecidos por ela em todo o contexto da indústria, comércio e do agro também.”

Ainda segundo ele, o Polo Industrial de Manaus vem registrando crescimento expressivo nos últimos anos.

Atualmente, o Polo Industrial conta com 553 fábricas em operação e outras 170 em processo de implantação. Foto: Divulgação Suframa

Em 2023, o faturamento foi de R$ 175 bilhões. Em 2024, o número subiu para R$ 205 bilhões. Já em 2025, o polo fechou o ano com R$ 227,7 bilhões em faturamento, um crescimento de 11% em relação ao ano anterior.

O avanço também se reflete na geração de empregos. O número de trabalhadores no chão de fábrica passou de 109 mil, em 2023, para 132 mil no ano passado, representando aumento superior a 20%. Atualmente, o Polo Industrial conta com 553 fábricas em operação e outras 170 em processo de implantação.

Destaque do polo de duas rodas

Entre os segmentos de maior faturamento está o polo de duas rodas, formado por indústrias que integram a história da Zona Franca. O profissional de Relações Institucionais da Yamaha, Rafael Lourenço, destacou a presença histórica da empresa no PIM.

“A Yamaha está presente no polo industrial de Manaus desde 1985, portanto, esse ano completamos 41 anos de polo industrial de Manaus. Hoje nós temos um complexo industrial que emprega mais de 4 mil colaboradores e temos um impacto relevante na economia não só do Amazonas, mas da região Norte.”

Impacto nos pequenos e médios negócios

Ao todo, são 29 subsetores que compõem o parque industrial. Foto: Divulgação Suframa

Além das grandes indústrias, a Zona Franca de Manaus também movimenta pequenos e médios empreendimentos. No setor automotivo, oficinas mecânicas prestam serviços tanto para empresas do Distrito Industrial quanto para a população em geral.

O mecânico Felipe Borges afirma que atua há quase dois anos na área, realizando serviços em veículos a diesel e gasolina, incluindo manutenção de motores e caixas de câmbio.

“Trabalho aqui há quase dois anos… Agora estamos dando prosseguimento aos serviços na parte de veículos a diesel, gasolina, serviços mais completos como caixa de câmbio, como motor de forma geral”, diz.

Para o gerente comercial do setor automotivo, Agizander Souza Braga, a oficina exerce papel essencial: “é como um médico para o automóvel”, atuando tanto na prevenção quanto na correção de problemas.

“O papel de uma oficina é mais ou menos o papel de um médico na vida de um ser humano, só que voltado para o automóvel, que precisa de cuidados preventivos e corretivos. Nós tentamos prevenir problemas que venham acontecer em algum veículo automotivo, e porventura corrigir aqueles que já tenham acontecido”, explica.

Já o empresário Ulysses Souza Braga avalia que Manaus seria muito diferente sem a Zona Franca. Segundo ele, boa parte dos negócios da cidade presta serviços direta ou indiretamente ao Distrito Industrial.

“Eu acho que Manaus ia ser muito diferente do que é hoje. Eu vejo da seguinte maneira a situação da Zona Franca em relação a praticamente tudo aqui, comércio, outras empresas. Aqui todo mundo presta serviço para o distrito. Veículos leves, médios, foi veículo, teve quatro rodas, eu atendo. Temos clientes no distrito, é mais caminhão, vã, essas coisas”, destaca.

Comércio: um dos pilares do modelo

Outro setor estratégico é o comércio. Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, o segmento é atualmente o maior empregador do estado.

Segundo ele, cerca de 70% da mão de obra — aproximadamente 380 mil trabalhadores — está concentrada na atividade comercial, reforçando a importância de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor.

“Porque hoje o comércio não é só aquele que mais contribui, mas aquele que mais emprega. Quero colocar no contexto as avaliações corretas para que a gente possa ter cada vez mais políticas públicas bem direcionadas, olhando para a qualidade de vida, para o homem do interior, para a zona franca de Manaus, para a gente poder garantir o desenvolvimento dessa região riquíssima do Brasil.”

Setores que lideram o faturamento

Entre os segmentos que mais faturam no Polo Industrial de Manaus estão os setores de informática, duas rodas e eletroeletrônico, além das áreas química, mecânica e termoplástica. Ao todo, 29 subsetores compõem o parque industrial.

Para a Suframa, parte do desempenho positivo também está relacionada à Reforma Tributária aprovada pelo Congresso Nacional, sob coordenação do senador Omar Aziz e relatoria do senador Eduardo Braga.

Matérias relacionadas