Política

Operação Erga Omnes força David Almeida a cancelar agendas

Desdobramentos da ação policial impactaram a agenda institucional da Prefeitura de Manaus, levantando novos questionamentos sobre a gestão municipal

Escrito por Rosianne Couto
20 de fevereiro de 2026
Operação Erga Omnes interrompe compromissos oficiais na gestão municipal de Manaus. Foto: Antônio Pereira (Semcom)

A deflagração da Operação Erga Omnes pela Polícia Civil do Amazonas na manhã desta sexta-feira (20/2) provocou o cancelamento de ao menos três pautas previstas na agenda pública do prefeito David Almeida (Avante). A ação, que mira organização criminosa com atuação interestadual, envolve investigação de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção e resultou na prisão de Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus.

David estaria às 9h no Parque Municipal do Idoso para entregar rações do programa ‘Ração do Meu Pet’; às 10h, ele participaria da reinauguração do CMEI Professor Calixto Pereira, no bairro Cidade de Deus; e, às 16h30, o prefeito estaria no Parque das Tribos para uma pauta sobre habitação. A suspensão destes eventos coincide com a apreensão de documentos e a mobilização de equipes de investigação nos setores centrais da Casa Civil municipal.

Foto: Reprodução

A conexão entre a detenção de Cardoso, apontada como responsável por movimentar cerca de R$ 1,5 milhão em recursos suspeitos, e o impacto direto na rotina da gestão elevou a tensão política na capital amazonense.

O Diário da Capital solicitou da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) um posicionamento acerca da prisão da servidora, mas até a publicação desta matéria, nenhuma resposta foi apresentada.

A Operação Erga Omnes, coordenada pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e com apoio de forças estaduais de diversos estados brasileiros, amplia as investigações a setores além da esfera municipal.

Confira a lista dos investigados pela operação

Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, apontado pela investigação como responsável por repassar informações sigilosas de processos que tramitavam sob segredo de Justiça, mediante pagamento, o que teria favorecido a atuação do grupo criminoso.

Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas. De acordo com relatórios de inteligência financeira, foram identificadas movimentações de valores milionários associadas ao esquema investigado.

Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus, além de ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida. Segundo a apuração, ela teria movimentado aproximadamente R$ 1,5 milhão em benefício da facção, por meio de empresas consideradas de fachada.

Alcir Queiroga Teixeira Júnior – investigado por suposta atuação no núcleo financeiro do esquema, com participação na movimentação de recursos classificados como suspeitos pela investigação.

Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar de vereador, indicado pela polícia como integrante da estrutura de influência atribuída ao grupo investigado.

Osimar Vieira Nascimento – policial militar detido sob suspeita de envolvimento com as atividades do chamado núcleo político apurado na operação.

Bruno Renato Gatinho Araújo – preso no Amazonas e incluído entre os alvos da operação por suposta ligação com o esquema investigado.

Ronilson Xisto Jordão – detido no município de Itacoatiara, é apontado como participante do esquema sob investigação.

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