Política

Rodrigo Guedes acusa David Almeida de ‘farsa eleitoral’ após anúncio de redução da tarifa de ônibus em Manaus

Vereador afirma que queda no preço da passagem não seria gesto social, mas reflexo de decisões judiciais

Escrito por Rosianne Couto
12 de fevereiro de 2026
Rodrigo Guedes acusa prefeito David Almeida de usar redução da tarifa como estratégia política — Foto: Dicom/CMM

A redução no valor da passagem de ônibus em Manaus, anunciada pelo prefeito David Almeida (Avante), entrou no centro de uma nova disputa política. O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) usou as redes sociais para contestar a narrativa oficial da Prefeitura e acusar o chefe do Executivo municipal de tentar capitalizar eleitoralmente com o anúncio.

A tarifa, que a partir do dia 1º de março cairá de R$ 6 para R$ 5, segundo o parlamentar, não teria sido reduzida de forma espontânea nem motivada por sensibilidade social.

Na publicação, Guedes sustenta que a diminuição estaria ligada à baixa adesão ao valor anterior e, principalmente, a decisões judiciais que restabeleceram a possibilidade de pagamento em dinheiro no transporte coletivo. De acordo com o vereador, a proibição do pagamento em espécie, implementada com apoio do Sinetram e da Prefeitura, teria como objetivo pressionar empresas a adquirir vales-transportes mais caros, elevando custos trabalhistas e, indiretamente, os preços ao consumidor.

Ainda segundo o parlamentar, após decisões judiciais que reautorizaram o pagamento em dinheiro, empregadores teriam optado por repassar diretamente aos trabalhadores o valor menor, reduzindo a compra de créditos tarifários mais caros. Nesse cenário, afirma Guedes, a redução anunciada pelo prefeito seria consequência econômica inevitável — e não uma decisão política estratégica voltada ao interesse público.

“Qual patrão, empreendedor ou trabalhador que, podendo gastar menos, vai gastar mais?! Até porque as convenções coletivas autorizam o pagamento em dinheiro da passagem”, escreveu o vereador.

Empresários também criticaram os últimos reajustes da tarifa de ônibus, afirmando que precisavam pagar o valor integral aos funcionários.

“Antes era R$ 4 e foi para R$ 6; as pessoas que pagavam em dinheiro pagavam R$ 5, e as empresas pagavam R$ 6. Ficou muito pesado”, disse Ralph Assayag, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), ao comentar a equiparação entre os valores pagos.

O episódio reforça o ambiente de tensão crescente entre o Legislativo municipal e a gestão David Almeida, já marcado por críticas relacionadas a promessas, alianças políticas e à condução de políticas públicas.

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