A sinalização pública de apoio do ex-governador José Melo (Pros) ao prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), para uma eventual candidatura ao Governo do Amazonas reacendeu debates sobre desgaste político, memória eleitoral e o peso de alianças controversas no cenário estadual. Cassado em 2017 por compra de votos nas eleições de 2014 e posteriormente condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) a oito anos de inelegibilidade por abuso de poder político e econômico no mesmo pleito, Melo ainda carrega forte rejeição em segmentos do eleitorado.
Mesmo assim, em entrevista recente, o ex-governador afirmou que pretende ajudar David Almeida no interior do Estado, caso o prefeito decida disputar o governo.
“Se o Davi for candidato a governo, se for, eu vou ajudá-lo no interior. Vou cuidar da campanha dele no interior, se ele quiser”, declarou Melo, ao acrescentar que acredita na capacidade do prefeito de promover mudanças e defender pautas ligadas ao interior e à Zona Franca de Manaus.
Na prática, o gesto levanta dúvidas sobre os efeitos eleitorais dessa aproximação. Melo, que já figurou entre os políticos mais votados do Amazonas — com mais de 869 mil votos ao derrotar Eduardo Braga em 2014 — viu sua influência encolher significativamente nos últimos anos. Em 2022, ao disputar uma vaga de deputado estadual, recebeu apenas 5.127 votos, desempenho considerado modesto e que evidencia a perda expressiva de capital político.
A associação com um ex-governador cassado tende a alimentar críticas da oposição e pode reforçar narrativas sobre contradições no discurso de renovação política frequentemente adotado por David Almeida. Além disso, a própria declaração de Melo sugere tentativa de retomada de protagonismo por meio de alianças estratégicas, ainda que sem mandato ou força eleitoral comprovada recentemente.
