Após a paralisação da roda-gigante na Ponta Negra no último sábado (22/11), o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), utilizou as redes sociais e fez uma transmissão ao vivo, afirmando que a equipe do ex-vereador Amauri Gomes (UB) teria cortado os fios de energia do equipamento, provocando a interrupção no funcionamento do equipamento. O parlamentar, por sua vez, negou a acusação e disse que foi ao local apenas para denunciar uma suposta ligação clandestina que estaria abastecendo a estrutura.
Após o episódio, o assunto foi discutido por parlamentares durante a 105ª sessão ordinária, realizada nesta segunda-feira (24/11) na Câmara Municipal de Manaus (CMM), que classificaram a situação como “Grande espetáculo político” . O vereador Rodrigo de Sá (PP) destacou que, na visão dele, foram adotadas posturas “açodadas” diante da paralisação da roda-gigante. Ele afirmou prezar pelo respeito entre as instituições e alertou para o perigo de determinadas ações precipitadas.
“As fiscalizações precisam ocorrer, mas não da forma que vêm ocorrendo. A gente está causando um grande espetáculo político, de pouca efetividade, de poucos resultados, e de muita lacração e muito factóide”, afirmou Sá.

Segundo o parlamentar, é necessário que a prefeitura seja questionada e apresente esclarecimentos sobre os processos administrativos relacionados à contratação da empresa responsável pela operação da roda-gigante. Além disso, ele acrescentou que é fundamental compreender quais procedimentos foram adotados pela gestão municipal, mas alertou que extrapolar os limites da fiscalização é perigoso e pode colocar pessoas em risco.
Já para o vereador Rodrigo Guedes (PP), não há indícios de que o ex-vereador Amauri Gomes (UB) tenha provocado o desligamento voluntário da roda. Ele afirmou ainda que Manaus precisa de atrativos e que equipamentos de lazer, entretanto, ressaltou que o problema não é a instalação da roda-gigante em si, mas a forma como o processo foi conduzido. Além disso, criticou o fato de a empresa responsável pela operação ter sido aberta “há apenas dois dias” e, mesmo assim, ter obtido autorização para atuar.
“Primeiro, eu preciso deixar claro que a cidade de Manaus não pertence ao David Almeida. Ele não pode atropelar os trâmites legais e burocráticos (…). Pode, sim, instalar, porque todos nós queremos coisas boas, diversões, alegrias para a população, e é um direito da população (…). David Almeida não é dono de Manaus, e tudo precisa seguir a legislação, porque ele não está acima da lei”, disse.
O parlamentar reforçou que tudo deve seguir a legislação municipal e classificou a situação como grave. Ele cobrou que o prefeito apresente provas das acusações feitas contra Amauri Gomes (UB), questionando a ausência de imagens de câmeras de segurança da Ponta Negra que poderiam esclarecer o episódio.

Segundo Guedes, “não é porque o prefeito falou que isso se torna verdade” e, por isso, ele não acredita na hipótese de sabotagem. Para ele, o mais provável é que tenha ocorrido uma “sobrecarga” no equipamento, que teria inclusive levado a prefeitura a instalar dois geradores, o que reforçaria essa possibilidade.
Empresa contratada
Informações da Receita Federal revelam que a empresa J. P. Diversões LTDA, responsável pela marca Wheel Manaus, foi criada recentemente, na terça-feira (18/11). O único sócio administrador é Jean Marcos Praia Rocha, diferente dos proprietários da H. M. Diversões Ltda., empresa mencionada no termo de cessão firmado com a prefeitura.
Apesar de não constar no documento oficial, a Wheel Manaus foi quem iniciou, há dois dias, a divulgação nas redes sociais da arte publicitária com informações sobre a venda de ingressos para a roda-gigante.

Outro ponto observado é que ambas as empresas registram o mesmo endereço: Avenida Autaz Mirim, nº 6.798, no bairro São José Operário, zona Leste, localização próxima ao parque de diversões. O compartilhamento do endereço sugere que as duas companhias podem operar a partir do mesmo espaço físico.

