Saúde

MPF cobra reestruturação de serviços de saúde em São Gabriel da Cachoeira

O órgão solicita plano estrutural conjunto entre União, Estado e Prefeitura para melhorar o funcionamento do SUS e assegurar atendimento integral à população

Escrito por Redação
3 de novembro de 2025
Foto: Alexandre Manfrim

Os serviços de saúde de São Gabriel da Cachoeira, no interior do Amazonas, estão no centro de quatro ações civis públicas ajuizadas pelo Ministério Público Federal (MPF). O órgão cobra da União, do governo estadual e da prefeitura local a adoção de medidas urgentes para garantir a reestruturação da rede de atendimento e assegurar a universalidade e a integralidade do direito à saúde na região.

As ações apresentadas pelo MPF pedem a elaboração de um plano estrutural conjunto para readequar a rede de atenção à saúde. O documento deverá incluir um diagnóstico das principais deficiências no funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) no município, além de estratégias para reorganizar os serviços de atenção primária, média e alta complexidade. Também deverão ser estabelecidas metas para a redução da mortalidade materna e infantil. O prazo proposto para execução das medidas é de 90 dias.

Entre as solicitações, o MPF requer a ampliação da oferta de atendimentos especializados no Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira, que atualmente só realiza consultas em casos de urgência e emergência. O órgão pede que médicos especialistas atuem em regime ambulatorial, com atendimento regular aos usuários do SUS, e que gestantes sejam acompanhadas por profissionais de ginecologia e obstetrícia. O MPF também propõe a digitalização e informatização do hospital e a implementação de um plano de adequação sanitária.

Durante diligências, o MPF constatou a ausência de serviços públicos adequados de vigilância epidemiológica e de enfrentamento à mortalidade materna e infantil. Segundo o órgão, essa deficiência tem impacto direto na saúde da população local, refletido em índices elevados de óbitos maternos, neonatais e infantis. Por isso, o MPF solicita à Justiça a criação de um Serviço de Verificação de Óbito e de um Comitê de Enfrentamento à Mortalidade Materna e Infantil.

Outro ponto abordado nas ações é a necessidade de criação de um Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual, conforme previsto nas Leis nº 8.080/90, 10.778/03 e 12.845/13. 

O plano deve incluir:

  • fluxo interinstitucional para atendimento das vítimas de violência sexual e para garantia do abortamento legal na rede pública de saúde;
  • previsão de serviços de referência para o atendimento e acolhimento das vítimas;
  • formalização de equipe mínima que compõe o Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual;
  • disponibilização de espaço de escuta qualificado e privacidade durante o atendimento, bem como mecanismos divulgação de informações sobre a existência de serviços de referência para atendimento de vítimas de violência sexual;
  • estratégia disponibilização de transporte à vítima de violência sexual até os serviços de referência;
  • promoção de capacitação de profissionais da rede de atendimento do SUS para atender vítimas de forma humanizada;
  • garantia de serviços mínimos obrigatórios, como amparo médico, psicológico e social imediatos, informação prévia à vítima sobre direitos legais, facilitação do registro de ocorrência, entre outros.

O MPF também pede que União, Estado e Município sejam condenados ao pagamento de R$ 12,5 milhões por danos morais coletivos, em razão da precariedade dos serviços públicos de saúde.

Rede de atendimento à população 

Com uma população de 51,7 mil habitantes, dos quais 93% são autodeclarados indígenas, São Gabriel da Cachoeira é o terceiro maior município do Brasil em extensão territorial, com mais de 109 mil km². O território abriga 12 terras indígenas, oito delas homologadas, e reúne 23 povos e cinco troncos linguísticos. 

Atualmente, o município conta com cinco Unidades Básicas de Saúde, um laboratório, um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e dois Distritos Sanitários Especiais Indígenas. O Hospital de Guarnição, administrado em parceria entre o Exército Brasileiro e a Secretaria de Estado de Saúde, é a única unidade de média complexidade da região.

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