Durante a 52ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Manaus, nesta segunda-feira (23/6), vereadores manifestaram indignação diante da tragédia que vitimou a biomédica Giovana Ribeiro da Silva, de 29 anos, grávida de sete meses. Ela morreu após um grave acidente provocado por um buraco na Avenida Djalma Batista, uma das principais vias da capital.
Segundo informações da família, o acidente ocorreu na noite de domingo (22/6), na Avenida Djalma Batista, uma das vias mais movimentadas de Manaus. Giovana e o marido estavam em uma motocicleta quando ele perdeu o controle do veículo ao passar por um buraco na pista. Giovana foi arremessada e morreu no local. Já o marido foi socorrido e levado ao Hospital 28 de Agosto.
A tragédia causou forte comoção e gerou cobranças diretas à prefeitura de Manaus por parte de vereadores da oposição. O vereador Capitão Carpê (PL) fez duras críticas à gestão municipal, destacando os altos investimentos anunciados em obras de infraestrutura e o que chamou de “omissão com a vida das pessoas”.
“O que mata é a corrupção, o descaso e a omissão. Os buracos são apenas consequências disso. As pessoas estão morrendo por culpa de uma secretaria que tem sangue de vítimas inocentes nas mãos”, disse o parlamentar.
Ele ainda destacou que a prefeitura de Manaus possui orçamento bilionário, com mais de R$1 milhão investido no programa “Asfalta Manaus” e R$144 milhões em aditivos com 13 empresas. Ainda assim, segundo ele, a população continua exposta ao risco em vias públicas mal conservadas.
“Dinheiro tem. Só falta vergonha na cara. Falta atenção, falta saber das prioridades da cidade. A população tem o direito de saber para onde está indo o dinheiro”, completou.
O vereador Rodrigo Guedes (PP) também criticou a postura da gestão municipal e cobrou mais responsabilidade por parte do vice-prefeito e atual secretário de Infraestrutura, Renato Júnior.
“A prefeitura finge que não sabe o que está acontecendo. A máquina pública não é propriedade sua, nem do prefeito. A população precisa de transparência. Quantas pessoas precisam morrer para o prefeito começar a agir”, questionou.
Já o vereador Zé Ricardo (PT) informou que protocolou uma representação no Ministério Público do Amazonas (MPAM), pedindo a responsabilização da prefeitura de Manaus pela morte de Giovanna.
Ele também afirmou que pretende convocar o secretário Renato Júnior para prestar esclarecimentos na Câmara sobre as condições das ruas da cidade.
Sessão marcada por ausências
Apesar da relevância do tema, apenas 19 dos 42 vereadores estavam presentes no plenário durante os discursos. A ausência de parte significativa da Casa em um debate de tamanha gravidade também foi criticada por alguns parlamentares que acompanhavam a sessão.
A morte de Giovanna e da filha que esperava reacendeu o debate sobre os investimentos em infraestrutura e os impactos diretos que a má gestão pública pode causar na vida da população. O Diário da Capital procurou a assessoria da prefeitura de Manaus para comentar o caso, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
