Amazonas

Autoridades e artistas amazonenses lamentam a morte de Paulo Onça, ícone do samba

O músico faleceu aos 63 anos em Manaus após meses de internação; legado inclui mais de 130 obras que marcaram o carnaval e a cultura popular do Amazonas

Escrito por Clara Gentil
26 de maio de 2025
Fotos: Reprodução/Instagram

Autoridades do Amazonas e representantes do meio artístico local manifestaram pesar pela morte do sambista e compositor Paulo Juvêncio de Melo Israel, conhecido como Paulo Onça, ocorrida nesta segunda-feira (26/5), em Manaus. O artista, de 63 anos, estava internado no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) desde dezembro de 2024, após ter sido violentamente agredido em um episódio ocorrido logo após um acidente de trânsito na capital.

Referência no samba amazonense, Paulo Onça teve uma carreira marcada por composições que se tornaram parte do repertório cultural do estado. Um de seus marcos mais lembrados é o samba-enredo “Nem Verde e Nem Rosa”, que levou a Escola de Samba Vitória Régia ao título do carnaval manauara em 1990.

Além de sua atuação nas agremiações locais, o compositor também ganhou destaque fora do Amazonas, como no carnaval do Rio de Janeiro, onde assinou o samba da Acadêmicos da Grande Rio em 2017, em homenagem à cantora Ivete Sangalo — um dos enredos mais celebrados daquele ano. Ao longo de sua trajetória, compôs mais de 130 músicas, muitas delas defendidas por intérpretes e agremiações do cenário amazonense.

Paulo Onça e Ivete Sangalo no carnaval do Rio de Janeiro. — Foto: Reprodução/Instagram

Em nota nas redes sociais, a escola de samba reforçou a trajetória do sambista. “Paulo Onça era integrante da ala de compositores da nossa escola, tendo integrado a parceria campeã do samba enredo de 2017, que homenageou a cantora Ivete Sangalo. Lamentamos profundamente a perda e nos solidarizamos com os familiares e amigos nesse momento de dor”.  

Nota da escola de samba Acadêmicos da Grande Rio. — Imagem: Reprodução/Instagram

Em nota oficial, o Governo do Amazonas lamentou a perda e reconheceu o legado de Paulo Onça para a cultura popular do estado. “Neste momento de dor, nos solidarizamos com os familiares, amigos e admiradores de Paulo Onça. Sua voz e sua poesia seguem eternas nas rodas de samba”.

A Câmara Municipal de Manaus (CMM), por meio do presidente David Reis (Avante), destacou sua contribuição para o engrandecimento do carnaval local.

Paulo Onça, como era carinhosamente conhecido, se destacou por contribuir de forma significativa para a cultura do carnaval e para o engrandecimento da música popular. A CMM se solidariza com seus familiares e amigos, desejando força para enfrentar essa irreparável perda”. 

O espaço cultural Quintal do Couro Velho, tradicional reduto do samba em Manaus, também homenageou o artista, classificando sua morte como uma perda irreparável para o samba amazonense. “Lamentamos a perda irreparável ao samba e à cultura amazonense, e nos solidarizamos com os familiares neste momento de dor e saudade.” 

Nota do Grupo Couro Velho. — Imagem: Reprodução/Instagram 

Cleildo Barroso, presidente do Grêmio Recreativo Cultural A Grande Família, destacou a referência de Paulo Onça para o Amazonas.

“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Paulo Onça, grande sambista e compositor, referência na cultura popular e na preservação do samba. Sua partida deixa um imenso vazio, mas também um legado de música, poesia e amor à nossa cultura. Que sua voz e seu compasso sigam ecoando na eternidade”.

Nota da escola de samba A Grande Família. — Imagem: Reprodução/Instagram

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