Entretenimento

Nova espécie de pacu do rio Amazonas é batizada em homenagem ao ‘Senhor dos Anéis’

Descoberta reforça a importância da biodiversidade do rio, que abriga milhares de espécies ainda não catalogadas.

Escrito por Redação
15 de junho de 2024
Foto: Reprodução / Scielo

O rio Amazonas, que abriga cerca de 2.500 espécies nomeadas de peixes, ainda esconde muitos segredos. Estima-se que quase metade das criaturas marinhas que vivem nessa vasta extensão de água ainda não foram descobertas pelos cientistas.

Recentemente, uma equipe internacional de pesquisadores identificou uma nova espécie de pacu, um parente herbívoro da piranha, em um estudo sobre a biodiversidade do rio Amazonas. Essa nova espécie, além de seus dentes únicos, apresenta marcantes cores laranja e preta, incluindo uma distinta barra preta vertical ao longo de seu corpo. Essas características fizeram com que os pesquisadores a associassem ao olho ardente de Sauron, vilão da série de livros de J.R.R. Tolkien, “O Senhor dos Anéis”. Assim, o peixe foi nomeado Myloplus sauron, conforme publicado na revista Neotropical Ichthyology.

“Achamos que seria uma boa ideia — realmente parece o olho de Sauron”, comentou Victória Pereira, coautora do estudo e estudante de pós-graduação em biologia na Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (Unesp), em Botucatu–SP. A equipe espera que essa referência à cultura pop chame atenção para o peixe e para os esforços de conservação da biodiversidade na Amazônia.

Este peixe chamativo não é o primeiro animal nomeado em homenagem ao Senhor das Trevas de Tolkien. Em maio de 2023, um gênero de borboletas foi batizado devido às manchas que lembram olhos em suas asas. Também há uma rã arborícola, um besouro de esterco e um gênero de dinossauros com nomes inspirados no personagem.

Além do Myloplus sauron, os pesquisadores descobriram outra espécie, Myloplus aylan, que possui uma barra preta ligeiramente mais espessa em sua lateral. Ambos pertencem ao gênero Myloplus, da família Serrasalmidae, que inclui piranhas e pacus.

Diferenciar essas espécies pode ser complicado devido às suas características semelhantes e à variação de aparência ao longo de suas vidas. Além disso, machos e fêmeas frequentemente têm aparências distintas, dificultando ainda mais a identificação, conforme observado pelo Museu de História Natural de Londres.

Myloplus sauron e Myloplus aylan têm dentes achatados e rombudos, usados para mastigar plantas, em contraste com os dentes afiados das piranhas. Todas as espécies de pacus são principalmente herbívoras, enquanto algumas piranhas são conhecidas por suas dietas carnívoras.

Anteriormente, essas duas novas espécies eram classificadas como Myloplus schomburgkii devido às semelhanças nas marcas pretas em seus corpos arredondados. Contudo, uma análise detalhada de DNA revelou que se tratavam de três espécies distintas com o mesmo padrão marcante.

Os pesquisadores planejam estudar Myloplus sauron e Myloplus aylan mais profundamente para compreender melhor sua evolução e relação com outras espécies, segundo Pereira.

Pacus desempenham um papel vital no ecossistema amazônico, principalmente devido à sua dieta à base de frutas, que ajuda na dispersão de sementes. Esse processo é crucial para o crescimento de árvores e plantas na floresta tropical, já que os peixes espalham as sementes longe de suas plantas-mãe, promovendo a expansão da floresta e limitando a propagação de doenças.

Identificar e catalogar as espécies que habitam determinados ecossistemas permite que os pesquisadores liderem melhor os esforços de conservação, protegendo animais ameaçados ou em risco. Isso é especialmente relevante para regiões como a Amazônia, que enfrentam ameaças de destruição de habitats.

“Corremos o risco de perder inúmeras espécies antes mesmo de sabermos que elas existem, e consequentemente, nunca entenderemos como contribuem para um ecossistema saudável e funcional”, afirmou Matthew Kolmann, professor assistente da Universidade de Louisville, que estuda esses peixes.

“Inventariar quais espécies estão onde e quando é o primeiro passo para qualquer esforço de conservação futuro”.

Matérias relacionadas