A quadra da escola de samba Aparecida, na Zona Centro-Sul de Manaus, foi palco de um encontro considerado histórico para o Carnaval da capital. Na última segunda-feira (15), casais de mestre-sala e porta-bandeira de praticamente todas as escolas de samba da cidade participaram de um workshop gratuito conduzido por Ana Paula Sgarbi e Ruhanan Lucas, primeiro casal da tradicional escola paulistana Tom Maior.

Evento reuniu representantes de quase todas as escolas de Samba de Manaus (Foto: Marcus Bessa/Gandhicats)
A atividade marcou o encerramento da passagem da dupla por Manaus, onde eles integraram o elenco do espetáculo “Samba, a história que o Carnaval canta”, apresentado no fim de semana e dirigido pelo coreógrafo Gandhi Tabosa. O espetáculo é uma iniciativa do Gandhicats Project, escola de danças urbanas idealizada pelo artista, e serviu de ponto de partida para a troca cultural entre os carnavais de São Paulo e do Amazonas.
Segundo Gandhi Tabosa, a presença do casal da Tom Maior foi pensada desde o início como um intercâmbio.
“Eles (o casal de mestre sala e porta bandeira) vieram participar do espetáculo do Gandhicats, que foi sábado e domingo, o espetáculo chamado ‘Samba, a história que o Carnaval canta’. O Ruhanan Lucas e a Ana Paula são o primeiro mestre-sala e porta-bandeira da Tom Maior, que é a escola de samba que eu estou trabalhando lá em São Paulo, que eu estou como coreógrafo de Comissão de Frente”, explicou.
A experiência no palco despertou a ideia de ampliar o contato com o Carnaval manauara.
“Com essa troca de conhecimentos, eu falei: preciso fazer alguma coisa com o Carnaval. E aí, foi quando eu tive a ideia de fazer um workshop completamente gratuito, na segunda-feira, lá na quadra da Aparecida”, relatou Gandhi.
A organização contou com o apoio de Fabiano Fayal, diretor do Departamento Cultural da Aparecida, e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC). O resultado foi uma noite que reuniu bandeiras, coreografias e histórias de diferentes agremiações em um mesmo espaço.
“Praticamente todas as escolas de samba estavam presentes, foi histórico isso no Carnaval de Manaus. Reunir todos os pavilhões foi a coisa mais linda do mundo na noite de ontem”, afirmou o coreógrafo.
Durante o workshop, Ana Paula Sgarbi e Ruhanan Lucas compartilharam técnicas, experiências e vivências do Carnaval paulista, contribuindo para o aprimoramento artístico dos casais locais e fortalecendo o diálogo entre diferentes tradições do samba.
História

Em 2026, Gandhi vai se dividir entre a Aparecida e a Tom Maior (Foto: Marcus Bessa/Gandhicats)
A ação também reflete a trajetória de Gandhi Tabosa dentro do Carnaval. Ele iniciou no samba em 2013, na Unidos do Alvorada, onde permaneceu por cinco anos. Depois de um período afastado, foi convidado a integrar a Aparecida, escola com a qual conquistou um tricampeonato e consolidou trabalhos marcantes à frente da comissão de frente.
“Eu sempre admirei muito a Aparecida. Eu sempre vi a Aparecida como uma escola do Rio de Janeiro, como uma escola de São Paulo, que fazia carnavais grandiosos”, destacou.
Para o próximo Carnaval, Gandhi viverá um novo desafio ao dividir sua atuação entre Manaus e São Paulo, já que a Aparecida e a Tom Maior desfilam no mesmo dia. A coreografia da escola manauara será compartilhada com Victor Venâncio, bailarino do Gandhicats e do Corpo de Dança do Amazonas.
Natural de Aracaju, em Sergipe, Gandhi construiu sua carreira artística no Amazonas, onde vive há muitos anos.
“Sou mais nortista que nordestino”, resume. Autodidata, ele chegou a cursar dança na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mas sempre seguiu a vocação artística como coreógrafo.
