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Walter Netto fala sobre o retorno às pistas, a disputa por títulos e a nova temporada

Após quase 20 anos longe das pistas, piloto amazonense retoma a carreira, conquista resultados expressivos e projeta 2026

Escrito por Leanderson Lima
3 de janeiro de 2026
De volta às pistas, Walter Netto provou que mantém o alto nível, mesmo após anos longe das competições. (Foto: Divulgação)

Walter Cordeiro Netto vive uma história de amor incondicional com o automobilismo. Mas, como acontece em muitas histórias de amor, nem sempre o piloto foi correspondido. Do kart às categorias de fórmula, das pistas brasileiras ao exterior, este amazonense de 47 anos voltou a viver dias intensos que ele acreditava terem ficado para trás após disputar sua última prova nos Estados Unidos, em 2008.

A partir dali, o macacão, as luvas e o capacete tornaram-se itens de decoração. Os troféus passaram a representar apenas a prova material dos dias mais felizes dessa relação. O ronco dos motores silenciou, e a vida seguiu em frente.

O desejo de competir, porém, nunca desapareceu. Ele apenas encontrou outro caminho: o triatlo. Vieram provas no Brasil, no exterior e diversas edições do Ironman, uma das modalidades mais exigentes do mundo, na qual o atleta precisa nadar 3,8 quilômetros, pedalar 180 quilômetros e, como se isso não fosse suficiente, correr uma maratona de 42,195 quilômetros.

Walter fez tudo isso. Casou-se com a também triatleta Jéssica Santos e, do fruto desse amor, nasceu Maitê, hoje com dois anos.

A vida parecia completa. Mas, para quem cresceu desafiando a velocidade, algo ainda faltava. Um dia, a caminho do supermercado, Walter foi tomado pela nostalgia dos tempos de pista. Naquele momento, pensou que a filha conheceria a história do pai-piloto apenas por meio de fotografias e vídeos antigos.

“Eu falei… caramba… já corri de tanta coisa… já corri em tantos lugares do mundo… e agora eu nunca mais vou sentar no carro de corrida. Que pena”, refletiu.

“Se você falasse para mim, há uns três anos, e dissesse que eu voltaria às pistas, teria ao menos uma vitória e ainda levantaria minha filha no pódio… nunca. Eu apostaria 10 milhões que isso jamais poderia acontecer”, relembra.

Mas, como nas boas histórias de amor, é no imponderável que surgem os roteiros mais bonitos. E Walter voltou a acelerar.

A história de amor entre Walter Netto e o automobilismo promete fortes emoções em 2026

“Recebi um convite para disputar as 1000 Milhas de Interlagos, em 2024, depois de quase 20 anos parado. Pegamos um carro muito bom e fomos terceiros colocados na nossa categoria, a P4”, conta. Em janeiro de 2025, um novo convite para correr pela Just Motors resultou no vice-campeonato.

A partir dali, Walter engrenou uma temporada completa na Road to 1000 Milhas — agora não mais pela Just Motors, mas pela Satti Racing. “É uma categoria usada para ganhar ritmo para as 1000 Milhas. O modus operandi é o mesmo, só que com corridas de duas horas”, explica.

As provas acontecem em diferentes condições: de dia, no fim da tarde, à noite e até sob chuva. “Aprendemos muito durante o ano e acabei sendo vice-campeão. Para nós, foi uma honra, porque o nosso principal concorrente, a equipe Just Motors, também de Manaus, tinha o melhor carro da categoria. Mesmo assim, conseguimos vencer uma corrida e batemos na trave na segunda vitória, quando o carro quebrou a dez minutos do fim”, relata.

“Foi especial levar o campeonato para a última etapa, disputando contra uma equipe extremamente estruturada, com patrocínios milionários e um time muito forte. Para nós, foi maravilhoso”, acrescenta.

Com um carro inferior, Walter aponta como principais dificuldades a diferença de velocidade nas retas em relação ao carro campeão da categoria, além da constante troca de companheiros de equipe ao longo da temporada. “Em cinco corridas, tivemos quatro companheiros diferentes, e isso atrapalha a conexão”, avalia.

Para a temporada de 2026, Netto terá um novo desafio: a categoria PN01 nas 1000 Milhas. “Recebi um convite da Horse Motorsport para correr com o carro campeão de 2025. É uma categoria com carros mais lentos do que os da P4, mas o clima é diferente. Era exatamente isso que eu precisava”, revela.

Após a saída da Just Motors, a rivalidade com antigos companheiros de equipe se intensificou. “Eu devo muito ao Paulinho De’Carli e ao Paulo De’Carli, que me fizeram esse convite para voltar a correr, quando eu já não acreditava mais que havia esse caminho para mim. Voltei, fui rápido e constante”, pontua.

Segundo o piloto, o ambiente mudou quando passaram a disputar o campeonato em equipes diferentes. “Acabou criando uma rivalidade desnecessária — não por minha parte. Ninguém está disputando Fórmula 1, Stock Car ou Fórmula Truck. Isso acabou sendo um absurdo, mas cada um com seus pensamentos. Eu preferi seguir em uma categoria totalmente diferente”, afirma.

Temporada cheia

Agora, o piloto amazonense se prepara para uma temporada cheia na nova categoria, com sete etapas programadas. A estreia acontece no dia 25 de janeiro, em Interlagos, São Paulo, durante a disputa das 1000 Milhas, a maior prova de endurance da América Latina. A largada ocorre à meia-noite do dia 25, com chegada prevista para o meio-dia, totalizando 12 horas de prova.

As provas contam com duas paradas obrigatórias para troca de pilotos e reabastecimento. “Dá para fazer a corrida com até três pilotos. Um larga, corre 40 minutos, troca para o segundo, mais 40 minutos, e depois para o terceiro”, explica.

Antes de acelerar, porém, Walter enfrenta outro desafio: buscar patrocínios para fortalecer a equipe. “É outra corrida que a gente precisa vencer”, brinca.

Entre arquibancadas e paddock, a pequena Maitê segue como o talismã de Walter Netto

Em cada etapa, ele terá um talismã especial na arquibancada e no paddock: a filha. “No ano passado ela foi a várias etapas. Hoje, conhece o automobilismo, sobe no pódio comigo e também com a mãe. Isso me emociona muito, porque sempre sonhei que minha filha pudesse me ver correr”, finaliza.

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