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Velódromo de Manaus: Erros técnicos e perigo aos praticantes

Inaugurado em 2020, o Velódromo não possui as especificações adequadas para a prática do ciclismo

Escrito por
Lucas Albarado
December 04, 2023
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Falta de padronização, inclinações perigosas e mais de R$4 milhões gastos em vão, é como o Velódromo de Manaus é visto pelos ciclistas da cidade, que aguardavam um local adequado para a prática e receberam uma enorme frustração.

Construído durante a gestão de Arthur Neto, os profissionais a frente do projeto receberam um documento de 28 páginas, onde todos os erros técnicos eram apontados, assim como exemplos de Velódromos construídos de acordo com normas nacionais e internacionais.

Após o documento chegar ao conhecimento do ex-prefeito, as obras foram paralisadas por três semanas para reavaliação. 

Mesmo assim, com o retorno das obras, as principais reclamações não foram atendidas, que seriam o ajuste da angulação da pista, uma mureta e passarela na pista, que oferecem perigo para quem deseja praticar no local.

Marcioney Santos, engenheiro civil, acompanhou a trajetória do projeto e as reivindicações feitas pelos ciclistas que pediam adequações, e não foram ouvidos pelas autoridades.

“Infelizmente aquela obra foi uma aberração. Do jeito que está, o melhor a fazer é tirar ‘Velódromo’ do nome. O que mais nos deixa tristes, é que eles foram alertados durante a obra, e seriam possíveis adequações para tornar o complexo viável para o ciclismo de pista”, afirmou.

Questionado sobre possíveis adaptações para funcionar de uma maneira melhor, Santos respondeu que não vê possibilidade de ajustes no projeto. 

“As intervenções seriam muito significativas, pois envolveriam a demolição total da pista e da passarela. Temos que cobrar os representantes para que os mandantes sejam responsabilizados”, finalizou. 

No período da construção, a prefeitura anunciava que o espaço seria um dos poucos em escala construído no Brasil; o que o tempo comprovou ser mentira, com a sua estrutura sendo retangular, na contramão dos Velódromos em todo o mundo, que tem formato oval.

Paulo Aguiar, membro do Pedala Manaus, falou que o grupo realizou diversas reuniões com a prefeitura, acompanhado também de organizações de ciclismo esportivo da cidade. 

De acordo com Aguiar, o executivo foi alertado que não fazia sentido construir o complexo com esses padrões, que não atendem plenamente o lazer, nem a prática esportiva. 

“Informamos que estava inadequado e que não teria utilidade real depois de pronto. No futuro acreditamos que ele vai ser demolido, porque não vai ter utilidade, não temos praticantes do ciclismo de velocidade. Se permanecer, ele sempre vai ser subutilizado", relatou. 

A obra foi avaliada em R$2,6 milhões para sua construção e, ao final dela, recebeu um aditivo de quase 100%, levando o investimento para quase R$5 milhões.

“O uso que seria pra competição, só tem uma utilidade para recreação, e hoje é usado para o Patins. Uma obra que custou mais de R$4 milhões, ser destinada para o que não é seu fim, é um desperdício de dinheiro público", enfatizou Paulo.

Procurada pelo Diário da Capital, a prefeitura de Manaus falou sobre o Velódromo por meio de nota: 

“A Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Manaus Esporte (FME), informa que, no início da atual gestão realizou adequações no espaço, para correções de obras. Conforme a FME, o velódromo é aberto atualmente para treinamentos de equipes de tênis e ciclismo, mediante agendamento prévio e também para o lazer da comunidade, uma vez que o local construído pela gestão anterior não atende às especificações nacionais e internacionais de competição", finalizou.

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