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Uma em cada quatro estudantes adolescentes relata violência sexual no Brasil, aponta IBGE

Pesquisa com 118 mil alunos mostra aumento dos casos entre meninas e registra gravidez precoce acima de 14% no Amazonas

Escrito por Redação
25 de março de 2026
Foto: Fernando Frazão Agência Brasil

Uma em cada quatro estudantes adolescentes do Brasil já sofreu algum tipo de violência sexual, como toques, beijos ou exposição de partes íntimas sem consentimento. O dado integra a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento ouviu 118.099 adolescentes de 13 a 17 anos matriculados em 4.167 escolas públicas e privadas do país em 2024. Em comparação com a edição anterior, realizada em 2019, o percentual de meninas que relataram esse tipo de violência aumentou 5,9 pontos percentuais.

Segundo o estudo, 11,7% das estudantes afirmaram ter sido forçadas ou intimidadas a manter relações sexuais, crescimento de 2,9 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Embora a incidência entre meninas seja, em média, o dobro da registrada entre meninos, adolescentes de ambos os gêneros relataram situações de abuso, totalizando mais de 2,2 milhões de vítimas de assédio e cerca de 1,1 milhão de casos de relações forçadas.

O IBGE explicou a metodologia adotada para identificar as situações de violência.

“Esse tipo de violência nem sempre é identificado pela vítima, seja por falta de conhecimento em razão da idade, no caso de menores, seja por aspectos sociais e culturais. Nesse sentido, a identificação dos diversos atos que caracterizam a violência sexual, por um lado, consiste numa estratégia metodológica que facilita a identificação da violência; por outro, possibilita a caracterização da violência em escalas de gravidade”.

Idade e rede de ensino

A pesquisa aponta que casos de assédio sexual foram mais relatados por adolescentes de 16 e 17 anos. Já entre aqueles que disseram ter sido forçados a relações sexuais, a maioria (66,2%) tinha 13 anos ou menos quando sofreu a violência.

Os dados indicam ainda maior incidência entre estudantes da rede pública. Entre esses alunos, 9,3% afirmaram já ter sido intimidados ou forçados a manter relação sexual, ante 5,7% na rede privada. Nos casos de assédio sexual, a proporção foi semelhante entre as duas redes.

Autores das violências

Entre os adolescentes que relataram relações forçadas, a maioria apontou pessoas do círculo íntimo como autores. Segundo a pesquisa, 8,9% indicaram pai, padrasto, mãe ou madrasta; 26,6% outros familiares; 22,6% namorados ou ex-namorados; e 16,2% amigos.

Nos casos de toques não consentidos, beijos forçados ou exposição de partes íntimas, a categoria mais mencionada foi “outro conhecido” (24,6%), seguida por outros familiares (24,4%) e desconhecidos (24%). Como era possível escolher mais de uma opção, o total das respostas superou 100%, indicando episódios repetidos ou cometidos por mais de uma pessoa.

Gravidez precoce

O levantamento também identificou que cerca de 121 mil adolescentes de 13 a 17 anos já engravidaram, o que corresponde a 7,3% das que afirmaram ter iniciado a vida sexual. Desse total, 98,7% eram estudantes da rede pública.

Cinco estados apresentaram índices superiores a 10%: Paraíba, Ceará, Pará, Maranhão e Amazonas, onde o percentual chegou a 14,2%.

A pesquisa também revelou baixa utilização de preservativos. Apenas 61,7% dos estudantes relataram uso de camisinha na primeira relação sexual, proporção que caiu para 57,2% na relação mais recente. Entre outros métodos contraceptivos, 51,1% afirmaram utilizar pílula anticoncepcional e 11,7% recorreram à pílula do dia seguinte. Mesmo assim, quatro em cada dez meninas disseram já ter usado esse método ao menos uma vez.

Início da vida sexual

Em 2024, 30,4% dos adolescentes de 13 a 17 anos afirmaram já ter tido relação sexual, cinco pontos percentuais a menos do que em 2019. Entre estudantes de 13 a 15 anos, a proporção foi de 20,7%, enquanto entre jovens de 16 e 17 anos chegou a 47,5%.

Considerando apenas aqueles que já iniciaram a vida sexual, 36,8% disseram ter tido a primeira relação com 13 anos ou menos. A idade média da iniciação sexual foi de 13,3 anos entre meninos e 14,3 anos entre meninas.

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