Política

Toffoli admite sociedade em resort, mas nega pagamentos de Vorcaro

PF entregou relatório sobre possível suspeição do ministro no caso Master

Escrito por Redação
12 de fevereiro de 2026
O relatório da Polícia Federal, cujo conteúdo foi divulgado pela imprensa, aponta menções a Toffoli em diálogos entre Vorcaro e seu cunhado, Fábio Zettel, descrito como colaborador próximo do banqueiro. Foto: Ascom STF

O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nota nesta quinta-feira (12) para esclarecer a participação do magistrado em uma empresa familiar que vendeu fatias de um resort no Paraná a fundos ligados ao banco Master. Toffoli é relator do inquérito que investiga supostas fraudes financeiras envolvendo a instituição, incluindo uma tentativa de venda ao BRB — banco cujo maior acionista é o Governo do Distrito Federal — operação posteriormente barrada pelo Banco Central.

A manifestação ocorre após a Polícia Federal (PF) encaminhar, no dia 9 de fevereiro, relatório ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, mencionando o nome de Toffoli em conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master e principal investigado. Fachin notificou o ministro para prestar esclarecimentos.

Na nota divulgada nesta quinta-feira, o gabinete informa que Toffoli é sócio da empresa familiar Maridt, que reúne irmãos e outros parentes. Segundo o texto, a legislação permite que magistrados integrem quadro societário de empresas, desde que não exerçam funções administrativas. A nota afirma que, conforme a Lei Orgânica da Magistratura, o ministro “pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador”.

Ainda segundo o comunicado, a participação da Maridt no resort Tayaya, localizado em Ribeirão Claro (PR), foi vendida em duas etapas: parte ao fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e o restante à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. O gabinete sustenta que todas as operações foram declaradas à Receita Federal.

O texto destaca que o inquérito envolvendo o banco Master chegou ao gabinete de Toffoli em novembro do ano passado, quando a empresa da família já não mantinha participação no empreendimento. A nota conclui afirmando que o ministro “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

Relatório da PF

O relatório da Polícia Federal, cujo conteúdo foi divulgado pela imprensa, aponta menções a Toffoli em diálogos entre Vorcaro e seu cunhado, Fábio Zettel, descrito como colaborador próximo do banqueiro. As conversas estariam relacionadas ao resort Tayaya.

Na noite de quarta-feira (11), antes da nova nota, o gabinete do ministro já havia se manifestado ao afirmar que um pedido de suspeição feito pela PF “trata de ilações” e que a corporação não possui legitimidade para requerer a suspeição de magistrados. Segundo o comunicado, os esclarecimentos seriam encaminhados ao presidente do STF.

Questionamentos

Toffoli passou a ser alvo de questionamentos sobre sua atuação no caso Master após a divulgação de uma viagem realizada em dezembro em um jatinho particular que transportava também o advogado de um dos investigados. Posteriormente, decisões tomadas no inquérito ampliaram as críticas.

Em uma delas, o ministro determinou que provas colhidas em uma das fases da Operação Compliance Zero fossem enviadas diretamente ao Supremo antes da perícia da PF. A decisão foi posteriormente revista, embora Toffoli tenha mantido a prerrogativa de indicar os peritos responsáveis.

O debate ganhou novo fôlego com a revelação da venda da participação da empresa familiar no resort Tayaya a fundos ligados ao principal investigado no caso Master, intensificando a discussão sobre eventual conflito de interesses na relatoria do processo.

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