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Tensões globais: China, Rússia e Irã condenam ataques no Iêmen

Apesar dos apelos da ONU por um fim imediato dos ataques, os houthis persistem

Escrito por
Thiago Freire
January 12, 2024
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Os Estados Unidos e o Reino Unido lançaram bombardeios aéreos contra os houthis no Iêmen durante a madrugada desta sexta-feira (12), em resposta aos contínuos ataques ao tráfego marítimo internacional no Mar Vermelho, justificados pelos houthis como "solidariedade" com os palestinos em Gaza.

A operação anglo-americana provocou imediatas reações de Moscou, Pequim e Teerã, aliada dos houthis. A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, denunciou a ação como uma "escalada" com "objetivos destrutivos".

"Os ataques dos Estados Unidos no Iêmen são um novo exemplo da distorção, por parte dos anglo-saxões, das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e de um total desrespeito pelo direito internacional", afirmou Zakharova no Telegram.

A China expressou sua preocupação com o aumento das tensões no Mar Vermelho e pediu às partes envolvidas que "mantenham a calma e moderação" para evitar uma escalada do conflito, ressaltou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning.

Desde o início da guerra de Israel contra o grupo Hamas, em 7 de outubro, os houthis intensificaram os ataques com mísseis e drones contra o tráfego marítimo internacional no Mar Vermelho, uma passagem vital para a logística internacional e o comércio de energia, destacou Mao Ning.

"Esperamos que todas as partes relevantes desempenhem um papel construtivo e responsável na proteção da segurança regional e da estabilidade do Mar Vermelho, em sintonia com os interesses da comunidade internacional", continuou a porta-voz chinesa.

O Irã condenou os ataques aéreos norte-americanos e britânicos, classificando-os como uma "ação arbitrária" e uma "violação flagrante da soberania" do Iêmen.


COMO FORAM OS ATAQUES OCIDENTAIS

Os bombardeios anglo-americanos visaram locais militares em várias cidades controladas pelos houthis, conforme indicado pelo canal de televisão deste grupo. Sanaa, a capital iemenita, e as cidades de Hodeida, Taiz e Saada foram os principais alvos.

O presidente norte-americano Joe Biden defendeu a operação como uma resposta "defensiva" aos ataques sem precedentes dos Houthis a navios internacionais. Ele alertou que não hesitará em "ordenar novas medidas" se necessário.

Os ataques foram executados com aviões de combate e mísseis Tomahawk, contando com o apoio de Austrália, Canadá, Holanda e Bahrein. O Reino Unido mobilizou quatro aviões de combate Typhoon FGR4.

A diplomacia francesa responsabilizou os rebeldes pelos recentes eventos, exigindo o fim imediato dos ataques e lembrando o direito dos Estados de reagir.

IMPACTO NO TRANSPORTE MARÍTIMO INTERNACIONAL

Os ataques dos houthis estão forçando armadores a contornar a zona, aumentando custos e tempos de transporte entre Europa e Ásia. Os EUA já haviam mobilizado navios de guerra e criado uma coligação internacional em dezembro para proteger o tráfego marítimo nesta área, responsável por 12% do comércio mundial.

Apesar dos apelos da ONU por um fim imediato dos ataques, os houthis persistem, prejudicando o transporte marítimo global. A comunidade internacional observa atentamente, enquanto a situação no Mar Vermelho continua gerando crescentes tensões entre potências mundiais e grupos insurgentes.

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