Economia

Sindipetro-AM aciona STF contra isenção fiscal para refinaria privatizada no Amazonas

Representantes do setor afirmam que benefício ao refino privado não garante redução no preço dos combustíveis nem aumento da produção

Escrito por Rebeca Beatriz
27 de maio de 2026
Sindipetro-AM afirma que entidades buscam barrar no STF a concessão de isenção fiscal ao refino privado na Zona Franca de Manaus - Foto: Divulgação

O Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro) protocolaram no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de Ação Direta de Inconstitucionalidade sobre a isenção fiscal do setor petróleo e gás da reforma tributária.

A ação questiona a legalidade da Lei Complementar nº 214/2025, que concedeu isenção dos tributos CBS e IBS para atividades de refino de petróleo instaladas na Zona Franca de Manaus (ZFM).

Para os representantes das entidades, o benefício fiscal fere princípios constitucionais como a isonomia tributária e a livre concorrência. Segundo o Sindipetro-AM, a medida amplia vantagens econômicas para grupos privados sem apresentar contrapartidas concretas para a população, como redução nos preços dos combustíveis ou ampliação da capacidade de refino no estado.
Coordenador do Sindipetro-AM, Marcos Ribeiro afirma que a iniciativa busca impedir o que considera uma distorção econômica e jurídica.

O Sindipetro, junto a FUP e Anapetro, ingressou no STF para barrar um absurdo jurídico e econômico. Estamos falando da isenção de impostos bilionários para o refino privado na zona franca de Manaus. É importante ressaltar que desde a privatização da nossa refinaria para o grupo ATEM, o povo do Amazonas não recebeu nenhum combustível barato, mas sim um monopólio privado que edita preços abusivos.

O pedido de ação também sustenta que não houve, até o momento, investimentos que justifiquem a concessão do benefício fiscal.

Agora, querem dar benefícios fiscais extras sem nenhuma garantia de que o preço na bomba vai baixar ou que a produção do refino vai aumentar, algo que até o momento não aconteceu. Não há nenhum vertimento sequer para a ampliação do refino na refinaria. Refinaria continua sem projetos de modernização, não há uma perspectiva de aumento de produção, pelo contrário, nós estamos hoje operando basicamente com o mínimo da capacidade da refinaria em torno de 30% da sua capacidade”.

No pedido encaminhado ao STF, as entidades afirmam que pretendem contribuir tecnicamente para o julgamento, apresentando informações sobre os possíveis impactos da medida para a segurança energética da Região Norte, a concorrência no setor e a preservação de empregos qualificados.

O sindicato também critica o atual modelo de operação da Refinaria da Amazônia (REAM), alegando que a unidade perdeu parte de sua função estratégica de refino e passou a atuar prioritariamente como estrutura de armazenamento e distribuição de combustíveis.

“Ou seja, o que vemos é a descaracterização da refinaria que hoje funciona mais como armazém, depósito de combustível, um terminal colocando em risco empregos qualificados e, é claro, a nossa soberania. E, diante disso, não aceitaremos que o lucro de empresas privadas seja subsidiado por exceções fiscais enquanto o trabalhador e o consumidor pagam a conta. O Sindipetro segue na luta agora no Supremo para garantir que a. Os donos do poder econômico”.

Matérias relacionadas