Saúde

Setembro Amarelo: especialista alerta para sinais de risco e reforça prevenção ao suicídio 

A campanha alerta para sinais de risco, combate mitos e orienta busca por ajuda profissional

Escrito por Kataryne Dias
1 de setembro de 2025
Foto: Reprodução/Internet

O mês de setembro é marcado pelo Setembro Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à promoção da saúde mental. A iniciativa tem como objetivo informar a população sobre sinais de alerta, orientar sobre formas de apoio e destacar a importância de falar abertamente sobre o tema. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 45 minutos um brasileiro tira a própria vida. No cenário global, ocorre um suicídio a cada 40 segundos, totalizando cerca de um milhão de vidas que poderiam ser evitadas com acolhimento e intervenção adequados nos primeiros sinais de alerta. 

A OMS estima que pelo menos 90% das mortes por suicídio podem ser prevenidas por meio de educação, conscientização e campanhas de prevenção.

Especialistas alertam que mudanças de comportamento, como isolamento, tristeza profunda, desinteresse por atividades diárias ou manifestações de desesperança, podem indicar risco de suicídio. Samiza Soares, terapeuta psicanalista há mais de 10 anos, ressalta os principais sinais de alerta de que alguém pode estar pensando em se machucar ou tirar a própria vida

“Alguns sinais importantes são mudanças bruscas de comportamento, isolamento social, fala recorrente sobre morte ou falta de sentido na vida, perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, descuido com a própria higiene, alterações no sono e no apetite, além do aumento do uso de álcool ou outras substâncias. Muitas vezes a pessoa deixa “pistas” em conversas ou atitudes que revelam sua dor interna”, destaca Samiza. 

Samiza Soares — Foto: Arquivo pessoal

Quando e como buscar ajuda profissional? 

De acordo com Samiza, é essencial buscar ajuda assim que surgem sinais de sofrimento, contando com o apoio de profissionais e pessoas próximas. A psicanalista também destaca que, em situações de crise, é fundamental acionar serviços de emergência, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), no 192, ou o Centro de Valorização da Vida (CVV), no 188.

“A busca por ajuda deve acontecer assim que os sinais de sofrimento aparecem, antes mesmo de chegar a um ponto extremo. É importante procurar um psicanalista para apoio emocional e um psiquiatra quando há necessidade de avaliação médica e medicação. Amigos e familiares podem incentivar essa procura oferecendo companhia e escuta sem julgamento”, comentou. 

Foto: Reprodução/Internet 

Quais mitos sobre o suicídio devem ser combatidos?

  • “Quem fala em se matar não faz” 

Na verdade, muitas pessoas que tentam ou cometem suicídio deram sinais antes.

  • “É fraqueza ou falta de fé” 

O suicídio está ligado ao sofrimento psíquico intenso, não à força de caráter.

  • “Não se deve falar sobre suicídio porque incentiva” 

Pelo contrário, falar de forma responsável abre espaço para acolhimento e prevenção.

A origem do Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo é celebrado neste mês por causa do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, em 10 de setembro. A campanha utiliza a fita amarela como símbolo, em homenagem a Mike Emme, jovem norte-americano que tirou a própria vida em 1994. Seus pais, Dale e Darlene Emme, organizaram um funeral com laços amarelos e cartões com a mensagem: “Se você precisar, peça ajuda”.

Mike Emme e o Mustang 68, chamado carinhosamente de “Mustang Mike” — Foto: Reprodução/Internet

A cor amarela também faz referência ao Mustang 68 que Mike havia restaurado e pintado dessa cor, tornando-se uma marca de sua memória e dando origem ao apelido carinhoso de Mustang Mike. 

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