O que foi divulgado como um encontro institucional com servidores da educação municipal pode ter tido, na prática, um objetivo diferente. De acordo com denúncia recebida pelo Portal Diário da Capital, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), teria aproveitado uma reunião realizada no Teatro La Salle, no fim da tarde desta segunda-feira (16/3), para impulsionar sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas.
Segundo relatos de servidores que pediram anonimato, o evento, que reuniu centenas de profissionais, foi marcado por um discurso de cunho político-eleitoral. Durante sua fala, David Almeida teria apresentado realizações da gestão como vitrine para sustentar sua viabilidade eleitoral, em tom de pré-campanha.
Ainda conforme os denunciantes, o prefeito também direcionou críticas a possíveis adversários na disputa pelo Governo, como o senador Omar Aziz (PSD), também pré-candidato, e o governador Wilson Lima (União Brasil). Este último, segundo os relatos, foi citado no contexto de articulações políticas envolvendo a definição de nomes como Tadeu de Souza (Progressistas) e Roberto Cidade (União Brasil) para o pleito.
Outro ponto que chamou a atenção dos presentes foi o silêncio do prefeito em relação à investigação da Polícia Federal que tornou pública uma suposta operação de compra de votos, que teria sido articulada por seu genro, Gabriel. O tema, que tem repercussão no cenário político local, não foi abordado durante o encontro.
Mobilização e nova convocação
Ao final da reunião, ainda segundo os relatos, David Almeida anunciou um novo encontro com servidores, marcado para esta terça-feira (17/3), às 19h, no Diamond, localizado na zona Oeste da cidade. Na ocasião, ele teria solicitado que cada participante levasse ao menos cinco pessoas, o que, na avaliação de especialistas, pode indicar tentativa de ampliação de base política fora dos canais institucionais.
A denúncia também aponta que o prefeito pretende utilizar o novo evento para lançar nomes aliados como pré-candidatos a deputado estadual, entre eles David Reis, Eduardo Alfaia e Joelson Silva, todos do Avante.
Para analistas ouvidos pela reportagem, a utilização de eventos com servidores públicos para promoção pessoal ou construção de palanque eleitoral levanta questionamentos sobre possível abuso de poder político e desvio de finalidade, especialmente em ano pré-eleitoral.
