Política

Secretário de David Almeida é vaiado por professores em seminário da Semed

Em evento sobre inclusão realizado em ano eleitoral, secretário Júnior Mar enfrenta protestos de educadores e ouve críticas diretas sobre falta de apoio nas escolas

Escrito por Rosianne Couto
26 de março de 2026
Secretário Júnior Mar é vaiado por professores durante seminário da Semed em Manaus - Foto: Reprodução

O secretário municipal de Educação de Manaus, Júnior Mar, foi recebido com vaias por professores e pedagogos durante a abertura do seminário de educação especial inclusiva promovido pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), realizada nesta quarta-feira (24/3). O episódio ocorreu em meio a questionamentos sobre a realização do evento apenas neste ano eleitoral e levantou críticas à condução da política educacional no município.

A manifestação partiu, inicialmente, da professora Nelma Sampaio, que leciona no CMEI Madre Ana Rosa Gattorno, na zona Leste da capital. Segundo relato da própria educadora ao Diário da Capital, o protesto refletiu um sentimento coletivo de insatisfação entre profissionais da rede municipal. “Na verdade, eu que comecei a vaiar e disse que o meu voto ele não iria ter”, afirmou.

Após o início da manifestação, um assessor do secretário teria solicitado que a professora deixasse o local. Nelma, no entanto, recusou-se a sair e recebeu apoio de outros colegas, permanecendo no auditório. O episódio expôs o clima de tensão entre a gestão da Semed e os profissionais da educação, especialmente no que diz respeito às condições de trabalho e à política de inclusão nas escolas.

Ao fim de sua fala no palco, Júnior Maia se dirigiu até a professora, que aproveitou o momento para expor críticas diretamente ao secretário. Em seu relato, Nelma destacou a falta de profissionais capacitados para atender alunos com necessidades especiais e denunciou a sobrecarga enfrentada pelos docentes. “Nós queremos pessoas capacitadas para acompanhar esses nossos alunos em sala de aula, porque nós estamos sozinhos”, disse.

A professora também questionou a realização do seminário em ano eleitoral, sugerindo uso político da estrutura da pasta. “Eles fazem esse tipo de evento para se promover politicamente”, afirmou. Para os educadores presentes, o episódio simboliza um distanciamento entre a gestão e a realidade das escolas, onde, segundo relatos, há carência de suporte, aumento de adoecimento de professores e falhas na efetivação de políticas inclusivas.

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