Após a repercussão negativa envolvendo a roda-gigante instalada na Ponta Negra, zona Oeste de Manaus, o prefeito David Almeida (Avante) ingressou com uma ação judicial contra o Diário da Capital e contra o vereador Rodrigo Guedes (PP), da Câmara Municipal de Manaus (CMM).
A iniciativa ocorreu após publicações e declarações feitas pelo parlamentar que, posteriormente, foram repercutidas pelo Diário da Capital, envolvendo o episódio da paralisação do equipamento. Na ação, o chefe do Executivo municipal solicita indenização de R$ 15 mil por danos morais, além de outras medidas relacionadas ao conteúdo divulgado. Entre os pedidos do prefeito estão:
- a retirada da matéria envolvendo o tema e seu nome, referente à roda-gigante instalada na Ponta Negra;
- o pagamento de indenização de R$ 15 mil por danos morais;
- a proibição de mencionar seu nome em futuras denúncias.

Repercussão
Nesta segunda-feira (1º/12), em entrevista exclusiva ao Diário da Capital, o vereador Rodrigo Guedes (PP) ironizou a situação ao afirmar que este é apenas mais um dos processos movidos pelo Executivo municipal contra ele.
“Eu acho que o prefeito está liso, né? Mais um processo contra mim, dessa vez com o Diário da Capital junto, né! Nós estamos figurando como polo passivo em litisconsórcio, ou seja, juntos. Ele está pedindo R$ 15 mil meus e R$ 15 mil do Diário da Capital. Eu acho que ele está querendo fazer outra viagem, pelo visto, e já está fazendo um caixa ali, de repente”, disse.

Para o vereador, a ação judicial representa uma espécie de “roleta russa judicial”, usada pelo prefeito como estratégia para intimidar adversários — especialmente diante do número de processos que, segundo ele, vêm sendo movidos tanto contra sua pessoa quanto contra portais que criticam a gestão do Executivo municipal.
Ele também afirma acreditar que há “litigância de má-fé” e possível “enriquecimento ilícito” por parte do Executivo.
Além disso, reforçou ainda que, na visão dele, o prefeito, que “já vive uma vida de luxo”, estaria tentando ampliar esse luxo por meio dessas medidas judiciais. Segundo ele, cumpriu seu papel como vereador ao se posicionar diante da situação, enquanto o Diário da Capital apenas exerceu sua função ao divulgar as informações.
“O Diário da Capital só me entrevistou. Qual é a culpa? Só me entrevistou e deu publicidade, noticiou, informou e publicou a minha entrevista. Então, o prefeito, que é o que mais processa pessoas, vereadores, cidadãos e jornalistas no Brasil inteiro (…), isso é completamente inaceitável, porque quando a pessoa vai para a vida pública, ela sabe que vai ser questionada”, ressaltou.

Relembre o caso da roda-gigante
Após a inauguração da roda-gigante instalada no Complexo Turístico da Ponta Negra, realizada pelo prefeito David Almeida (Avante), valores dos ingressos foram questionados pela população. Em resposta, o prefeito afirmou que a instalação da estrutura não gerou despesas aos cofres públicos, por se tratar de um empreendimento privado, ressaltando que os ingressos seriam acessíveis ao público.
Além disso, informações da Receita Federal revelaram que a empresa J. P. Diversões LTDA, responsável pela marca Wheel Manaus, foi criada dois dias antes da inauguração do equipamento na Ponta Negra. O único sócio administrador é Jean Marcos Praia Rocha, diferente dos proprietários da H. M. Diversões Ltda., empresa mencionada no termo de cessão firmado com a prefeitura.
