Com o fim do pontificado de Francisco e em meio a homenagens diante do seu legado, os olhos do mundo católico se voltam para a lista dos chamados “papabili”, os cardeais considerados com maior chance de se tornarem o próximo papa. Os dias que separam o funeral papal do início do conclave são decisivos: intensificam-se articulações, surgem surpresas e os favoritos podem mudar.
O próximo conclave, marcado para o início de maio, poderá surpreender o mundo e a comunidade católica em geral. Entre conservadores, progressistas e moderados, a escolha do novo papa revelará qual caminho a Igreja Católica pretende seguir no século XXI.
O Diário da Capital listou alguns dos principais candidatos a Pontífice, dentre eles, o primeiro cardeal da Amazônia brasileira, Dom Leonardo Steiner, que pode votar e ser votado no próximo Conclave.
Péter Erdő (Hungria)
Arcebispo de Esztergom-Budapeste, 72 anos
Nomeado cardeal por João Paulo II em 2003
De perfil conservador e ferrenho opositor do comunismo, Erdő cresceu sob o regime socialista húngaro e viu sua família ser perseguida por causa da fé católica. Titular da igreja Santa Maria Nova, é reconhecido por sua rigidez doutrinária e apego às tradições.
Matteo Zuppi (Itália)
Arcebispo de Bolonha, 69 anos
Nomeado cardeal por Francisco em 2019
Conhecido como o “padre de rua”, Zuppi representa a ala progressista da Igreja. Defensor do acolhimento aos marginalizados, abraça o pluralismo religioso e busca a inclusão de homossexuais, divorciados e migrantes. Titular da igreja Santo Egídio, lidera uma das dioceses mais ricas do mundo.
Robert Sarah (Guiné)
Prefeito Emérito do Culto Divino, 79 anos
Nomeado cardeal por Bento XVI em 2010
Figura conservadora e voz ativa nas redes sociais, Sarah se opõe ao aborto, à homossexualidade e ao islamismo. Crítico das flexibilizações propostas por Francisco, é defensor do celibato sacerdotal. Se eleito, seria o primeiro papa africano desde Gelásio I, no século V.
Luis Antonio Tagle (Filipinas)
Pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, 67 anos
Nomeado cardeal por Bento XVI em 2012
Apelidado de “Francisco Asiático”, Tagle representa uma Igreja aberta à misericórdia e às mudanças culturais. Embora contrário ao aborto e à eutanásia, defende maior compreensão pastoral em temas morais controversos. É visto como um símbolo de renovação da Igreja no Oriente.
Albert Malcolm Ranjith (Sri Lanka)
Arcebispo de Colombo, 77 anos
Nomeado cardeal por Bento XVI em 2012
Conservador e firme defensor dos valores tradicionais, Ranjith evita temas como casamento gay ou eutanásia, mas tem posturas inflexíveis sobre ambos. Titular da igreja San Lorenzo in Lucina, é respeitado por seu estilo pastoral e discrição.
Pietro Parolin (Itália)
Secretário de Estado do Vaticano, 70 anos
Nomeado cardeal por Francisco em 2014
Diplomata de carreira, Parolin é considerado o mais próximo de Francisco no estilo e na visão global. Seu pragmatismo e habilidade política podem garantir continuidade às reformas do atual pontífice, ainda que de forma mais sutil. Tem pouca experiência pastoral.
Pierbattista Pizzaballa (Itália)
Patriarca Latino de Jerusalém, 60 anos
Nomeado cardeal por Francisco em 2023
Discreto sobre temas polêmicos, Pizzaballa valoriza a tradição aliada ao diálogo inter-religioso. Tem forte atuação no Oriente Médio e defende equilíbrio entre árabes e israelenses. Anticlerical e sensível às periferias, é considerado próximo ao estilo de Francisco.
Jean-Marc Aveline (França)
Arcebispo de Marselha, 66 anos
Nomeado cardeal por Francisco em 2022
Argelino de nascimento e dedicado ao diálogo inter-religioso, Aveline evita posições públicas sobre temas delicados como celibato e comunhão para divorciados. É apontado pela imprensa francesa como possível preferido de Francisco para a sucessão.
Leonardo Ulrich Steiner (Brasil)
Arcebispo de Manaus, 74 anos
Nomeado cardeal por Francisco em 2022
Primeiro cardeal da Amazônia brasileira, Steiner tem trajetória marcada pela defesa da região e da ecologia integral. Sua nomeação foi vista como um gesto de Francisco à periferia da Igreja. É respeitado por seu equilíbrio pastoral e profundo conhecimento filosófico.