Economia

Projeto fortalece autonomia financeira de mais de 640 mães solo refugiadas e migrantes no AM e RR

‘Mujeres Fuertes’ nasceu em 2022 com a missão de promover autonomia financeira e fortalecimento social por meio do empreendedorismo

Escrito por Redação
15 de março de 2026
Ao longo da jornada, as participantes acessam uma ampla gama de conhecimentos para se tornarem empreendedoras. Foto: Divulgação

Motivada pela crise econômica e social na Venezuela, Yizzell Carolina Mejías Briceno enfrentou dois dias de viagem marcados por incertezas até chegar ao Brasil. Em Manaus, foi acolhida e encontrou uma oportunidade de recomeço.

Sem emprego e sem rede de apoio, ela conheceu o projeto por meio das redes sociais do Instituto Hermanitos e decidiu participar. Como relata, o programa “Mujeres Fuertes” foi determinante para iniciar uma nova fase em sua vida.

“Foi uma das melhores coisas que já me aconteceram, porque foi assim que comecei a trabalhar aqui no Brasil”, afirma a venezuelana Yizzell Carolina Mejías Briceno, de 38 anos, que vive no país há apenas oito meses após deixar sua terra natal.

A história de Yizzell reflete a realidade de centenas de chefes de família e mães solo refugiadas e migrantes que participam ou já participaram da iniciativa. Criado e executado pelo Instituto Hermanitos, o projeto nasceu em 2022 com a missão de promover autonomia financeira e fortalecimento social por meio do empreendedorismo nas áreas de gastronomia e beleza.

A formação é oferecida em Manaus (AM) e Boa Vista (RR), com inscrições gratuitas, e cada edição tem duração média de seis meses. Durante o programa, as participantes têm acesso a cursos profissionalizantes, oficinas, aulas de educação financeira, direitos trabalhistas e direitos da mulher, além de capacitação em habilidades socioemocionais e atividades de empoderamento feminino.

Além da formação, as participantes recebem apoio financeiro e um kit com equipamentos e produtos para iniciar o próprio negócio, garantindo maior autonomia e geração de renda para suas famílias.

Outro diferencial do projeto é o suporte oferecido às participantes para que possam frequentar as aulas. As mães podem levar os filhos para as atividades, e as crianças permanecem em um espaço preparado para brincar e estudar, com acompanhamento da equipe da instituição.

O diretor-presidente do Instituto Hermanitos, Túlio Duarte, destaca que, além da qualificação técnica, o “Mujeres Fuertes” busca oferecer acolhimento e fortalecimento emocional.

“O diferencial do projeto é atuar de forma integral. Trabalhamos a qualificação técnica, mas também o emocional e o social. Essa combinação é o que permite que tantas mulheres rompam ciclos de vulnerabilidade e conquistem autonomia sustentável — alcançando também suas famílias e pessoas próximas”, pontua.

A iniciativa já beneficiou 646 mulheres, sendo 447 em Manaus e 199 em Boa Vista. Do total, 637 são venezuelanas (98,6%), incluindo indígenas das etnias Warao, Pemón, Karinã, Arecuna e Wayuu. Também participaram mulheres de outras nacionalidades, como uruguaia, dominicana, haitiana, cubana e brasileira.

Somente em 2025, o projeto impactou diretamente cerca de 200 mulheres, entre elas 13 indígenas e 16 em situação de acolhimento institucional.

Impacto social

O impacto do projeto não se limita às participantes. Ao todo, 2.236 pessoas foram alcançadas de forma indireta nas duas capitais, considerando familiares e integrantes da rede comunitária.

Maria Belisario, supervisora da 9ª edição do projeto em Manaus, destaca a transformação vivida pelas participantes ao longo da formação.

“O que fica não é apenas o que foi aprendido, mas o que foi despertado em cada uma. Foi uma caminhada feita de escuta, troca, desafios e descobertas. Um percurso que exigiu coragem para recomeçar e disposição para aprender”, conta.

A iniciativa é executada pelo Instituto Hermanitos, com recursos oriundos de reversão trabalhista do Ministério Público do Trabalho no Amazonas e em Roraima (MPT-AM/RR) e apoio do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT 11ª Região – AM/RR), da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Amazonas (Sebrae-AM).

O Instituto Hermanitos atua na promoção da dignidade, acolhimento e geração de oportunidades para pessoas refugiadas e migrantes nos estados do Amazonas e Roraima. Por meio de programas de empregabilidade, formação empreendedora, capacitações, apoio psicossocial e ações culturais, a instituição contribui para a integração e valorização desses grupos no contexto amazônico.

Saiba mais em: www.hermanitos.org.br

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