Além da confirmação da implantação do impedimento semiautomático a partir do próximo ano, anunciada pelo presidente da CBF, Samir Xaud, outro tema central do Grupo de Trabalho (GT) da Arbitragem foi a profissionalização dos árbitros de futebol no Brasil, nos moldes das principais ligas europeias. A informação é do presidente da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol do Amazonas (CEAF-AM), Rodrigo Novaes, que integra o grupo. A reunião ocorreu no início da semana, na sede da CBF, no Rio de Janeiro.
Segundo Novaes, o GT foi criado por iniciativa do presidente da entidade para discutir caminhos e propor soluções que melhorem o desempenho da arbitragem, especialmente nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro, alvos de críticas constantes. “Foram indicados representantes dos clubes das Séries A e B e de algumas federações. O nosso nome foi um dos indicados”, contou.
O encontro reuniu nomes de peso do futebol sul-americano, como Enrique Cáceres, presidente da Comissão de Arbitragem da Conmebol; Rodrigo Cintra, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF; o próprio Samir Xaud; Netto Goés, vice-presidente da Federação Amapaense de Futebol e presidente do GT; além de Davi Vale, gerente-geral da CBF Academy e membro da coordenação do grupo. Um dos momentos mais aguardados foi a palestra do ex-árbitro argentino Néstor Pitana, que apitou a final da Copa do Mundo de 2018, entre França e Croácia.

Profissionalização em debate
De acordo com Rodrigo Novaes, a pauta da profissionalização foi debatida com base em estudos comparativos internacionais. “Depois das palestras, foram apresentados estudos sobre a profissionalização dos árbitros, com dados das ligas francesa, inglesa, italiana e espanhola — quantos árbitros atuam, quanto ganham, como é feito o pagamento, se há bônus, como funciona a estrutura. Foi um comparativo importante para avaliar o que pode ser implementado aqui no Brasil”, explicou.
Todos os participantes do GT puderam apresentar sugestões e observações sobre os modelos analisados. “Teremos mais duas reuniões, uma em dezembro e outra em janeiro, e no fim de janeiro será entregue o relatório final. Também recebemos um documento para responder com nossas propostas e ideias, que farão parte desse relatório”, adiantou o dirigente.
Segundo ele, o objetivo é propor medidas concretas que fortaleçam o setor. “Queremos encontrar soluções que realmente melhorem a arbitragem brasileira. A profissionalização deve ser o primeiro passo. Cada um vai entregar seu relatório, e caberá à CBF avaliar e executar as medidas necessárias”, concluiu.
Preparação para o Amazonense
Rodrigo Novaes também falou sobre a preparação dos árbitros amazonenses para o próximo Campeonato Amazonense. “Nosso pessoal está prestes a realizar o teste físico para o Estadual de 2026. Em seguida, iniciaremos a pré-temporada, tudo organizado para fazermos uma grande arbitragem no ano que vem. Não é fácil. Se na Série A, com VAR e toda a estrutura, ainda há erros, imagine para nós, que não temos essa tecnologia. É muito difícil, mas vamos com o que temos e faremos o melhor possível”, finalizou.
