Problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais, deixaram de ser situações isoladas e passaram a figurar entre os principais desafios da saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas convivem atualmente com algum transtorno mental em escala global.
No Brasil, o cenário é considerado ainda mais preocupante. O país está entre os que registram as maiores taxas de ansiedade no mundo. Estima-se que mais de 56 milhões de brasileiros sofram com algum transtorno mental em diferentes níveis, o que afeta diretamente a qualidade de vida, as relações sociais e o desempenho profissional.
Diante desse contexto, especialistas avaliam que discutir o tema de forma aberta é um passo fundamental para ampliar a conscientização, fortalecer a prevenção e incentivar o tratamento adequado. A psicóloga Daniela Gouvêa reforça que, ao identificar sinais de que algo não está bem no campo emocional, é essencial buscar apoio especializado.
“Quanto mais nós falamos, nós conscientizamos a população sobre a prevenção e o tratamento precoce, além de desmistificar esse estigma sobre a doença mental. Quando a gente se der conta que algo não está bem com as emoções, com os nossos sentimentos, a gente deve buscar ajuda profissional de psiquiatras, de psicólogos para nos ajudar nesses momentos de dor”, afirmou.
Panorama da saúde mental no Brasil
Além de fatores individuais, questões socioeconômicas exercem influência direta sobre a saúde mental da população. Dados do Panorama da Saúde Mental, divulgado pelo Instituto Cactus, indicam que baixa renda e desemprego estão entre os principais fatores que comprometem o bem-estar emocional dos brasileiros. A situação financeira aparece como a maior preocupação da população, impactando de forma significativa os indicadores de saúde mental.
Ao analisar esse cenário, a psicóloga Anna Seixas destaca que o cuidado com a saúde mental precisa deixar de ser tratado como tabu e passar a ser compreendido como uma necessidade básica. Segundo ela, quanto mais cedo a ajuda for buscada, maiores são as chances de evitar o agravamento do sofrimento emocional.
“Cuidar da mente, cuidar do psicológico não é um luxo. É uma necessidade. Quando a pessoa começa a perceber que algo não está bem por dentro e isso passa a interferir na rotina, esse já é um sinal importante. Mudanças de humor, cansaço emocional constante, dificuldade para dormir, isolamento e perda de interesse por atividades do dia a dia são alguns exemplos que merecem atenção. Não é preciso esperar chegar ao limite para procurar ajuda. O sofrimento emocional precisa ser acolhido”, explicou.
Em situações de sofrimento emocional intenso, a população pode buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo número 188, que oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia.
