A permanência de uma servidora comissionada da Prefeitura de Manaus na folha de pagamento, mesmo após mais de 60 dias de prisão preventiva, reacendeu questionamentos sobre critérios administrativos e coerência institucional. O caso envolve Anabela Cardoso Freitas, presa durante uma operação policial que investigava suposta ligação com a organização criminosa Comando Vermelho.
À época da prisão, o prefeito David Almeida (Avante) adotou um discurso público de defesa da servidora. Em entrevistas e declarações repercutidas por veículos locais, o chefe do Executivo afirmou acreditar na inocência da assessora e chegou a dizer que não abandonaria “um soldado no campo de batalha”, além de garantir que a defenderia “até o fim do processo”.
Mesmo com a manutenção da prisão, decisões judiciais recentes negaram pedidos de liberdade, prolongando a detenção da investigada. Ainda assim, não há confirmação oficial de exoneração, o que levanta questionamentos sobre a continuidade do vínculo com o poder público em meio ao andamento do processo.
Especialistas em administração pública apontam que, embora a legislação permita afastamentos em determinadas circunstâncias, a manutenção de servidores presos pode gerar desgaste político e institucional, sobretudo quando há declarações prévias de apoio por parte de gestores. Para eles, o caso amplia, ainda, o debate sobre responsabilidade administrativa e limites entre presunção de inocência e gestão da coisa pública.
