A pesca esportiva no Amazonas segue em expansão e reforçando seu papel como uma das principais atividades econômicas ligadas ao turismo no estado. Segundo levantamentos recentes, o setor movimenta cerca de R$ 500 milhões por ano, considerando hospedagem, serviços, transporte, alimentação e toda a cadeia associada ao turismo de pesca.
Dados da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) mostram que, apenas entre janeiro e novembro de 2024, os empreendimentos apoiados pela entidade nas regiões do Baixo Rio Negro e na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã geraram mais de R$ 6,3 milhões em faturamento, beneficiando 17 comunidades e atraindo quase 6 mil turistas.
Alta temporada movimenta turistas de dentro e fora do Brasil
A temporada 2024/2025 registrou um crescimento de aproximadamente 8% em relação ao ano anterior, reunindo mais de 35 mil turistas no Amazonas. Regiões como Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro, Novo Airão, Tefé e diversos trechos do Rio Negro se consolidam como verdadeiros polos da pesca esportiva.
O empresário Jorge Gomes, atuante no setor de pesca esportiva, explica que a temporada forte se concentra entre agosto e março, com picos em setembro e outubro. Enquanto parte dos rios próximos a Manaus já começa a encher no fim do ano, áreas como Barcelos seguem com condições ideais para pesca prolongada até março.
O fluxo turístico também é variado: pescadores do Amazonas se mantêm ativos durante todo o ano, mas, na alta temporada, cresce a presença de visitantes de estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina, além de estrangeiros, especialmente argentinos, uruguaios e norte-americanos.
Jorge atua no ramo da pesca esportiva há mais de 20 anos e é dono da Sucuri Outdoors, uma das maiores empresas especializadas em artigos de pesca. Ele se orgulha em dizer que são mais de 25 mil tipos de iscas e diversos modelos de varas. A loja, localizada no bairro Nossa Senhora das Graças, oferece de tudo, conforto e autonomia, para quem gosta de relaxar nos fins de semana pescando.
Sustentabilidade orienta a prática no estado
O modelo adotado no Amazonas prioriza a prática do “pesque e solte”, essencial para garantir a preservação das espécies amazônicas, especialmente o tucunaré-açu, estrela da pesca esportiva.
Perfis, técnicas e paixão pela modalidade
Para novos pescadores, Jorge destaca que o primeiro contato com a modalidade costuma ser decisivo:
“Basta pegar um tucunaré, de preferência com isca de superfície, e a pessoa vira pescador na hora.” diz Jorge
Segundo ele, iniciantes costumam optar por iscas de meia água, mais fáceis de trabalhar, enquanto pescadores experientes buscam iscas maiores para tentar capturar exemplares de maior porte.
O empresário Elder Silva, que se prepara para mais uma expedição em Barcelos, reforça o entusiasmo dos praticantes:
“A expectativa é sempre a melhor. A gente vem pra temporada para se divertir. Já tivemos peixe de 88 cm no grupo, é sempre uma emoção.” diz Elder silva

Potencial e desafios
Enquanto o setor cresce, alguns desafios persistem. O aumento de turistas deixa clara a necessidade de mais hospedagens modernas, estrutura de apoio e maior investimento em infraestrutura nas regiões mais procuradas.
Ainda assim, a combinação de turismo, economia criativa, valorização de comunidades ribeirinhas e práticas sustentáveis faz da pesca esportiva uma das atividades mais promissoras do Amazonas, unindo natureza, aventura e geração de renda de forma responsável.
