Meio Ambiente

Parque do Mindu enfrenta desafios com descarte irregular de lixo e reforça importância da preservação ambiental

Especialista alerta que resíduos deixados por visitantes ameaçam a fauna, contaminam recursos hídricos e comprometem uma das principais áreas verdes de Manaus

Escrito por Micaele Souza
2 de agosto de 2026
Parque do Mindu enfrenta desafios com descarte irregular de lixo e reforça importância da preservação ambiental - Hercules Xavier/ DC

O Parque Municipal do Mindu, uma das mais importantes unidades de conservação de Manaus, segue desempenhando papel essencial na preservação ambiental da capital amazonense. Localizado na zona Centro-Sul, o espaço reúne mais de 40 hectares de floresta nativa, abriga espécies típicas da Amazônia e oferece à população uma opção de lazer, educação ambiental e contato direto com a natureza.

Apesar da relevância ecológica, o parque ainda convive com problemas causados pela ação humana. Durante visita ao local, a reportagem identificou resíduos descartados de forma irregular em alguns trechos das trilhas e nas proximidades do igarapé que corta a unidade. Também foram observadas áreas em manutenção e setores com acesso temporariamente restrito.

Para Dra. Ordilena Miranda, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a preservação do Parque do Mindu vai além da conservação da vegetação. Segundo a especialista, o espaço exerce funções ambientais fundamentais para a cidade, como a regulação da temperatura, a proteção da biodiversidade e a conservação de espécies ameaçadas, entre elas o sauim-de-coleira, primata símbolo de Manaus.

“A importância de um parque como o Mindu, que fica no coração de Manaus, é exatamente cumprir funções ambientais fundamentais. Uma delas é amenizar o calor da cidade. Aqui também vive uma espécie endêmica, o sauim-de-coleira. É um espaço onde as pessoas podem passear, estar em contato com a natureza e ter mais qualidade de vida”, afirma.

Além do impacto visual, o descarte inadequado de lixo representa riscos ao equilíbrio ambiental da unidade de conservação. Os resíduos podem contaminar o solo e a água, prejudicar a fauna silvestre e aumentar o risco de incêndios durante o período de estiagem.

De acordo com a pesquisadora, a preservação do parque depende tanto da atuação do poder público na manutenção da estrutura quanto da colaboração dos visitantes. Ela destaca que atitudes simples, como recolher o próprio lixo e respeitar as áreas de preservação, são fundamentais para garantir a conservação do espaço.

“O descarte irregular de lixo impacta diretamente a fauna, compromete a qualidade da água e aumenta o risco de incêndios neste período de verão amazônico. Cada visitante pode fazer a sua parte, recolhendo o próprio lixo e descartando os resíduos da forma correta para preservar esse espaço para as futuras gerações”, ressalta.

Considerado um dos principais refúgios verdes da capital, o Parque do Mindu desempenha papel estratégico diante do avanço da urbanização. A conservação da área depende de ações permanentes de proteção ambiental e, principalmente, do compromisso coletivo em preservar um patrimônio natural que beneficia toda a população.

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