A deflagração da Operação Erga Omnes pela Polícia Civil do Amazonas nesta sexta-feira (20/2) recolocou sob os holofotes um episódio que ganhou repercussão nacional em 2022: o relatório que apontava uma suposta aproximação entre integrantes do Comando Vermelho e o prefeito de Manaus, David Almeida. À época, documento revelado pelo Metrópoles indicava indícios de articulação política com membros da facção no Amazonas.
Veja:



A nova operação, que resultou na prisão de 23 investigados e no cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão, amplia o escopo das investigações sobre a atuação de uma organização criminosa com ramificações em pelo menos seis estados. Também foram autorizados bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens e quebra de sigilo financeiro dos alvos. Entre as cidades onde as ordens judiciais são cumpridas estão Manaus, Belém, Ananindeua, Belo Horizonte, Fortaleza, Teresina e Estreito.
De acordo com a polícia, o grupo investigado movimentou aproximadamente R$ 70 milhões ao longo de sete anos, uma média anual de R$ 9 milhões desde 2018, em articulação com traficantes do Amazonas e de outros estados. O volume financeiro e a abrangência interestadual reforçam a gravidade das apurações e a complexidade da rede sob investigação.
Em 2022, o relatório que veio a público indicava que o Comando Vermelho teria buscado aproximação política estratégica em Manaus, fato que foi negado pelo prefeito à época. Embora não haja, até o momento, decisão judicial que vincule formalmente o chefe do Executivo municipal aos crimes investigados na atual operação, a coincidência entre os novos desdobramentos e as suspeitas passadas reacende questionamentos sobre os mecanismos de controle, fiscalização e governança na administração municipal.
Lista dos investigados
Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, apontado pela investigação como responsável por repassar informações sigilosas de processos que tramitavam sob segredo de Justiça, mediante pagamento, o que teria favorecido a atuação do grupo criminoso.
Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas. De acordo com relatórios de inteligência financeira, foram identificadas movimentações de valores milionários associadas ao esquema investigado.
Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus, além de ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida. Segundo a apuração, ela teria movimentado aproximadamente R$ 1,5 milhão em benefício da facção, por meio de empresas consideradas de fachada.
Alcir Queiroga Teixeira Júnior – investigado por suposta atuação no núcleo financeiro do esquema, com participação na movimentação de recursos classificados como suspeitos pela investigação.
Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar de vereador, indicado pela polícia como integrante da estrutura de influência atribuída ao grupo investigado.
Osimar Vieira Nascimento – policial militar detido sob suspeita de envolvimento com as atividades do chamado núcleo político apurado na operação.
Bruno Renato Gatinho Araújo – preso no Amazonas e incluído entre os alvos da operação por suposta ligação com o esquema investigado.
Ronilson Xisto Jordão – detido no município de Itacoatiara, é apontado como participante do esquema sob investigação.
