Polícia

Operação da PC-AM prende oito suspeitos de aplicar golpes que movimentaram mais de R$ 75 milhões

Investigação aponta esquema de pirâmide financeira com uso de dados do Portal da Transparência; 32 veículos e documentos foram apreendidos e três investigados seguem foragidos

Escrito por Redação
25 de fevereiro de 2026
A Polícia Civil também apurou que parte dos investigados havia trabalhado anteriormente em outra empresa envolvida em esquema semelhante de pirâmide financeira. Foto: Beatriz Sampaio/PC-AM

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) prendeu, na terça-feira (24/02), oito pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa investigada por aplicar golpes financeiros que teriam movimentado mais de R$ 75 milhões no estado. A ação, denominada Operação Negócio Turvo, foi coordenada pelo 25º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Os investigados são apontados como responsáveis por crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, falsidade ideológica e falsificação de documentos. Foram presos Adrião Severiano Nunes Junior, Bruno Muniz Rodrigues, Carla Castro da Silva, Gabriel Azevedo da Fonseca, João Pedro Guimarães de Araújo, Raquel Souza da Silva, Tayana Graça da Silva Ale e Tony Philip Ferreira da Silva.

Três suspeitos são considerados foragidos: Anderson Ricardo Lima dos Santos, Carlos Augusto da Silva Freitas e Emanuelle Rosa Ramos dos Santos.

Anderson Ricardo Lima dos Santos. (Foto: Divulgação/PC-AM)
Emanuelle Rosa Ramos dos Santos. (Foto: Divulgação/PC-AM)
Procurado: Carlos Augusto da Silva Freitas. (Foto: Divulgação/PC-AM)

Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em Manaus e no Rio de Janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), do Núcleo de Recuperação de Ativos (Nurati), do Departamento de Inteligência da Polícia Judiciária (DIPJ) e da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PC-RJ).

Ao todo, 32 veículos — sendo 28 carros e quatro motocicletas — foram apreendidos, além de arma de fogo, munições, documentos, notebooks, pendrives e discos rígidos. O material foi encaminhado à sede da Delegacia Geral.

Segundo o delegado-geral da PC-AM, Bruno Fraga, a investigação identificou a atuação de núcleos diretivos e operacionais no esquema. “Trata-se de uma investigação que identificou núcleos diretivos e executores responsáveis pela lavagem de dinheiro, integrantes de uma sofisticada organização criminosa voltada à prática de crimes de estelionato, lavagem de capitais, falsidade ideológica e delitos contra o sistema financeiro, que movimentou mais de R$ 75 milhões oriundos de golpes aplicados contra diversas vítimas”, afirmou.

De acordo com o delegado Leonardo Marinho, titular do 25º DIP, as apurações começaram a partir de boletins de ocorrência registrados em delegacias da capital. “A empresa prometia ganhos vultosos de forma fraudulenta a vítimas, como servidores públicos, utilizando dados do Portal da Transparência para induzi-las à contratação de empréstimos bancários. Os valores eram rapidamente transferidos para contas controladas pela organização criminosa, sendo firmados contratos de cessão de crédito com o objetivo de dar aparência de legalidade às operações”, relatou.

Conforme a investigação, os clientes eram convencidos a contratar empréstimos com a promessa de receber mensalmente os valores das parcelas, acrescidos de um rendimento adicional. Após o pagamento de algumas parcelas iniciais, os repasses deixavam de ser feitos.

A Polícia Civil também apurou que parte dos investigados havia trabalhado anteriormente em outra empresa envolvida em esquema semelhante de pirâmide financeira. Segundo a autoridade policial, o grupo estaria estruturado com divisão de funções entre direção, operação e lavagem de dinheiro.

Os suspeitos presos permanecem à disposição da Justiça. A PC-AM solicita que informações sobre o paradeiro dos foragidos sejam repassadas pelos números (92) 3667-7625, 197, (92) 3667-7575 ou 181. A identidade do denunciante será mantida em sigilo.

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