Esporte

O rebaixamento do Amazonas começou fora de campo

O Amazonas FC precisa mudar sua forma de gerir, de tratar e se comportar.

Escrito por Larissa Balieiro
24 de novembro de 2025
Foto: João Normando

Chegou ao fim a série B e com ela quatro rebaixamentos, entre eles o do Amazonas FC. Um clube que dois anos atrás tinha a visibilidade do tamanho da história que estava construindo. Era tão evidente o sucesso que a Onça teria naquela sequência animadora que tudo conspirou a favor. O cenário era dividido em 2023 porque de um lado tínhamos o rebaixamento do Manaus e do outro a ascensão do Amazonas FC.

O que eu vou descrever aqui não são invenções, são fatos. Não é torcida contra, é comprovação. E tem um detalhe muito mais relevante nisso tudo: como jornalista eu não tenho que torcer, eu tenho que contar o fato. O Amazonas FC errou em 2025 mas nunca terá coragem de admitir. E quando essa falta de humildade fica longe, não importa se dentro de campo os caras darão conta, é fora que essa conta começa. 

A cronologia do Amazonas na temporada de 2025 começou ainda em dezembro de 2024 com o anúncio da primeira contratação do clube para este ano. O lateral-esquerdo Raimar, um amazonense que tinha tudo para puxar uma sequência de nomes característicos da história que a Onça queria contar na série B. O que não aconteceu. Isso porque Raimar além de não ter dado retorno no clube, foi emprestado e nem terminou a temporada com a Onça e fez apenas 10 jogos. E podem acreditar, o cenário se repetiu outras várias vezes este ano. 

Depois de Raimar, em 13 de dezembro de 2024, a Onça anunciava o volante Eliton Júnior que foi outro a não seguir na temporada. Fez apenas 14 jogos. Aí você deve pensar: e o que de errado tem nisso, sendo que é comum jogadores não darem sequência? Pois é, normal é. Agora você imagina o Amazonas administrar situações semelhantes a essas com 75 jogadores?

Aliás, saudade das artes do Amazonas que subiram junto com os anúncios. 

O Amazonas teve este ano 75 jogadores inscritos, anunciados, citados, passados nas redes sociais. E eu nem acrescentei os jogadores da base hein?! Na lista de anunciados através da assessoria estão apenas 44 foram oficialmente anunciados:

  • Goleiros: João Lopes, Renan, Zé Carlos, 
  • Laterais: Raimar, Luiz Felipe, Akapo, Thomás Luciano, Alyson, Rafael Monteiro, Nilson Castrillón, Risa Durmisi, 
  • Zagueiros: Zé Gabriel, Diego Barros, Gabriel Caran, Jackson, Rafael Vitor 
  • Volantes: Eliton Júnior, Bruno Ramires, Maciel, Larry Vasquez, Nicolas Linares, Santiago Vieira, Victor Hugo, Gabriel Domingos 
  • Meias: Theo Henrique, Diogo Carlos, Zabala, Yuri 

Atacantes: Luquinhas, Will, Wanderson, Belotti, Kevin, Bryan, Henrique Almeida, Rodrigo Varanda, Alexsandro, Kiko, Erivan, Yaya Sanogo, Joaquim Torres, Aldair Rodríguez, Denner, Diego Torres, Matheus Blade 

Lembrando que são nomes que a assessoria do clube enviou de forma oficial para a imprensa, como deve ser. Afinal, é a transparência do clube e a certeza que todos os setores estão sendo respeitados para suas devidas funções. Dessa relação que citei, dos 44 anunciados, 23 não seguiram mais no elenco e não chegaram a completar sequer 15 jogos. 

Chegamos ao ponto este ano, do Amazonas se trancar em comunicação e não permitir coletiva e muito menos acesso aos jogadores e treinos. Aliás, a diretoria permitiu apenas emissoras específicas, as que falavam o que eles queriam né? Porque ficou evidente. Você criticar ou citar algo do clube, o fato comprovado, era motivo para você ser intimidado e até mesmo xingado no estádio. Eu por exemplo, no jogo entre Amazonas x Botafogo-SP, fui xingada com a seguinte frase

“Secadora do caralho” e pasmem: “jornalistazinha” pelo presidente do Amazonas. E garanto, teve testemunha do ocorrido da própria comunicação do clube. Eu parei para tentar gravar a ofensa GRATUITA, mas ele obviamente parou. 

A rota do Amazonas este ano foi bagunçada e muito difícil de monitorar e acompanhar. O pouco de lucidez que ali era possível, não ganhava o peso e a notoriedade suficiente para salvar o clube de um ano catastrófico. Nós da imprensa tínhamos dificuldade de saber quando um jogador chegava ao clube, a gente só via pela rede social a foto sem detalhes. O volante Erick Varão foi um exemplo disso: a imprensa soube que ele tinha voltado ao clube quando o mesmo surgiu na escalação. E não teve nada mais além disso. Uma falta de respeito com o trabalho de todos os envolvidos no futebol. Aliás, ele renovou para 2026 com o Amazonas. 

Em fevereiro, os gringos começaram a chegar. Justo no mês que o Amazonas amargou duas eliminações: Copa do Brasil e Copa Verde. O primeiro estrangeiro foi o lateral-direito Carlos Akapo que depois mais se preocupou com suas convocações para defender a Guiné Equatorial. RELATOS que eu ouvi e presenciei. E o atacante francês da mídia internacional criada: Yaya Sanogo? Anunciado dia 25 de abril, fez só o comercial do sócio nas redes sociais e depois não teve nem sua saída oficializada. Foi embora do jeito que saiu: sem ninguém nem lembrar. 

O Amazonas também fez uns anúncios que não tiveram coerência e sequência. Dia 26 de dezembro de 2024 anunciou uma parceria com a Ulbra sob a alegação exata que lá seria o CT do Amazonas – time profissional, o que no restante da temporada se tornou  espaço da base. No dia 31 de janeiro de 2025 anunciou parceria com o Forward Madison FC, clube que disputa a USL League One dos Estados Unidos. Não entendi o fruto da parceria na temporada. No dia 23 de fevereiro de 2025 anunciou outra parceria, desta vez com a Forever Green, uma plataforma de sustentabilidade. Outra situação que não entendi o ganho pro clube, e tem contrato até junho/2029.

No dia 28 de dezembro de 2024 o clube já tinha 27 atletas anunciados para a sequência, contando com os empréstimos. Dia 12 de janeiro de 2025, Aderbal Lana foi anunciado para o comando após a diretoria ter tentado desvincular a informação que eu tinha dado em primeira mão. Cheguei a ser dada como mentirosa porque tinha noticiado de salários atrasados e do Lana. 

E foi Aderbal Lana que começou a temporada e fechou com o clube.

O último treino aberto do Amazonas para a imprensa geral e anunciado pela assessoria foi dia 7 de abril.  Dia 27 de abril, eles suspenderam as coletivas de imprensa e retornaram apenas dia 20 de setembro. Eu nunca nem ouvi a voz do técnico Guilherme Alves. Todo o ciclo dele foi em silêncio para nós.  Dia 2 de novembro voltaram a fechar as coletivas e assim encerraram a temporada, no mais absoluto silêncio. O Amazonas caiu fora de campo por uma efetiva falta de comando, mínima organização e respeito ao próximo, a quem também ajuda o clube: seja seu torcedor, imprensa e colaboradores. A SAF anunciada em agosto sem transparência alguma, com saídas sem explicação ou notas de esclarecimentos e um cenário que não mudou desde o início da temporada.

Eu poderia escrever uma infinidade de acontecimentos este ano que levaram o Amazonas ao cenário final de rebaixamento. Mas isso começou bem antes. E eu lamento para todos nós. Eu conheço gente lá dentro que realmente queria ajudar, buscava. Gente que se dava ao trabalho de me esclarecer os fatos. Nunca precisei fazer lobby pra diretor. Mas sempre respeitei mesmo quando não recebi isso de volta. 

O Amazonas FC precisa mudar sua forma de gerir, de tratar e se comportar. Porque o clube não é de SAF ou diretor, é do seu torcedor e sua história é respeitável. Honrem, até o fim!!! 

Colunista

Larissa Balieiro

Larissa Balieiro

Jornalista esportiva, apresentadora do Fora de Série AM, proprietária da @agenciaesportiva.lbame vencedora do Prêmio de Jornalista Esportiva mais admirada da região norte.

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