Saúde

Nova geração de medicamentos promete revolucionar o tratamento da obesidade

Canetas injetáveis e comprimidos em estudo apontam perdas de peso mais expressivas, com foco na preservação muscular e na adesão ao tratamento

Escrito por Redação
21 de dezembro de 2025
Foto: IA

O avanço no tratamento da obesidade entra em uma nova fase com medicamentos que prometem perdas de peso mais expressivas e benefícios adicionais à saúde. Após o impacto global de remédios como Wegovy e Mounjaro, uma nova geração de canetas injetáveis e comprimidos está em fase de estudos clínicos e pode ampliar significativamente as opções terapêuticas para uma condição que afeta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.

O cenário reflete uma mudança de paradigma: a obesidade passou a ser reconhecida como uma doença crônica, complexa e multifatorial. Nesse contexto, os medicamentos surgem como ferramentas importantes, mas especialistas reforçam que eles não substituem mudanças sustentadas no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, acesso à informação de qualidade e políticas públicas eficazes.

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Entre as inovações em desenvolvimento está uma versão oral e mais potente da semaglutida, princípio ativo do Wegovy. Trata-se de um comprimido diário de 25 mg — dose superior à do Rybelsus, já disponível no mercado brasileiro. Em estudos, pacientes com obesidade tratados com essa formulação apresentaram redução média de 16,6% do peso corporal após 64 semanas, contra 2,7% no grupo que recebeu placebo. A alternativa oral pode beneficiar pessoas que têm resistência ao uso de injeções.

Semaglutida

Outra aposta envolve a semaglutida injetável em dose mais elevada, de 7,2 mg. Ensaios clínicos indicaram uma perda média de 20% do peso corporal após 72 semanas de tratamento. Cerca de um terço dos participantes conseguiu reduzir 25% ou mais da massa corporal, resultado semelhante ao observado com a tirzepatida, base do Mounjaro.

Também em destaque está a retatrutida, medicamento da mesma fabricante do Mounjaro. Aplicada por injeção semanal, a substância atua em três receptores hormonais distintos e pode inaugurar uma nova classe farmacológica. Em estudos, pacientes apresentaram redução média de 24% do peso em 38 semanas, com parte deles alcançando resultados próximos aos observados em cirurgias bariátricas.

Outra estratégia em avaliação combina dois princípios ativos em uma única caneta. É o caso da Cagrisema, que associa semaglutida e cagrilintida. Após 68 semanas, a combinação resultou em perda média de 22,7% do peso corporal, superior à obtida com o uso isolado da semaglutida. A proposta é atuar de forma mais abrangente sobre o apetite, o esvaziamento gástrico e o metabolismo.

Há ainda medicamentos com esquemas de aplicação menos frequentes. O maridebart cafraglutida, conhecido como MariTide, é uma injeção mensal que ativa os receptores de GLP-1 e bloqueia os de GIP. Nos testes clínicos, a perda média de peso chegou a 20% após um ano de uso, o que pode favorecer a adesão ao tratamento.

Outras pesquisas miram diretamente a queima de gordura. A survodutida, por exemplo, imita tanto o GLP-1 quanto o glucagon, reduzindo o apetite, aumentando a saciedade e elevando o gasto energético. Em estudos, a redução média de peso foi de aproximadamente 15% em 46 semanas, com maior preservação de massa muscular em comparação a terapias atuais.

Músculos

A preservação dos músculos, aliás, tornou-se um dos principais focos das novas abordagens. Pesquisas com inibidores das vias da miosatina e das activinas — proteínas que limitam o crescimento muscular — buscam garantir que a perda de peso ocorra majoritariamente às custas da gordura corporal. Anticorpos como trevogrumabe, garetosmabe e bimagrumabe estão entre os mais promissores.

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Em um ensaio clínico de destaque, a combinação do bimagrumabe com a semaglutida levou a uma perda de peso próxima de 20%, com redução significativamente menor da massa muscular quando comparada ao uso isolado da semaglutida.

Apesar do otimismo em torno dessas inovações, especialistas reforçam que não existe solução milagrosa. O futuro do tratamento da obesidade aponta para medicamentos cada vez mais potentes e sofisticados, mas os resultados dependem de uma abordagem ampla, que inclua mudanças de hábitos, ambientes mais saudáveis e políticas públicas que garantam acesso às novas terapias.

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