O início do Alzheimer pode ser identificado por sinais que vão além dos esquecimentos comuns do envelhecimento e exigem atenção médica. A avaliação é do neurologista Carlos Uribe, que acompanha cerca de 300 pacientes com a doença no ambulatório do Hospital de Base do Distrito Federal. Segundo o especialista, reconhecer os primeiros indícios é decisivo para retardar a progressão do quadro e preservar a qualidade de vida.
Embora a associação entre lapsos de memória e idade seja frequente, Uribe alerta para manifestações que não devem ser negligenciadas. “As pessoas costumam achar que é algo normal da idade e demoram a procurar um médico, o que acaba atrasando o diagnóstico”, afirma.
Entre os sinais iniciais, o neurologista aponta esquecimentos recorrentes que interferem no dia a dia, mudanças de humor e comportamento, repetição constante de perguntas e dificuldade para encontrar palavras ou acompanhar conversas. “É preciso atenção quando essas alterações começam a comprometer o dia a dia. Muitas vezes, é a família que percebe que algo não está certo e leva o idoso para avaliação médica”, explica.
O quadro pode evoluir com dificuldades para dirigir ou reconhecer caminhos habituais, isolamento social, perda da capacidade de resolver problemas simples e prejuízo na manutenção do raciocínio. Para o especialista, a identificação precoce desses sintomas permite instituir acompanhamento adequado desde o início.
A percepção familiar foi determinante no caso de Ornelina Medeiros Pimentel. A filha, Jane Pimentel Meireles, relata que os esquecimentos começaram quando a mãe tinha 70 anos. “Ela esquecia conversas que tínhamos e também das pessoas”, conta. Com o avanço do quadro, surgiram alterações de comportamento. “Ela ficou mais agressiva e passou a brigar com algumas pessoas. Foi tudo muito estranho e fora do normal”, relata Jane.
Após a busca por atendimento médico e a realização de consultas e exames, veio o diagnóstico de Alzheimer. Atualmente, aos 77 anos, Ornelina segue em acompanhamento no Hospital de Base, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica em Saúde do Distrito Federal. Para a filha, a convivência com a doença exige adaptação. “O que estamos passando agora é ruim, mas sabemos que é só o começo. Tento viver um dia de cada vez, porque sei que vem muito sofrimento para a gente e, principalmente, para ela.”
Apesar da gravidade, Uribe destaca que o Alzheimer não representa, necessariamente, uma sentença fatal. “Muitas pessoas vivem por anos após o diagnóstico e acabam falecendo por outras doenças, como câncer ou AVC. Elas morrem com a doença, e não em decorrência dela”, conclui.
