O Ministério Público Federal (MPF) requisitou à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar uma possível contaminação de rios na Terra Indígena Waimiri Atroari, em Presidente Figueiredo, no Amazonas. A medida busca apurar se atividades da mineradora Taboca têm relação com alterações ambientais registradas na região.
Segundo o MPF, lideranças indígenas relataram mudanças na coloração, no odor e no sabor da água, além de casos de mortandade de peixes, peixes-boi e quelônios. Moradores também denunciaram problemas de pele e alergias após contato com os rios Tiaraju, Alalaú e o igarapé Jacutinga.
Exames contratados pela própria Associação Comunidade Waimiri Atroari identificaram a presença de metais pesados nas águas, incluindo alumínio, chumbo e mercúrio. De acordo com o laudo, o nível de alumínio encontrado chegou a ser 37 vezes superior ao permitido pela legislação ambiental brasileira.
Além da investigação criminal conduzida pela PF, o MPF também requisitou ao Ibama uma vistoria presencial nas áreas atingidas e nas instalações do complexo minerário. O órgão ambiental já havia identificado indícios de possível avanço das operações de mineração sobre áreas próximas à Terra Indígena Waimiri Atroari.
A mineradora Taboca nega responsabilidade pelos danos ambientais e afirma que os parâmetros da água seguem dentro dos limites legais. O MPF informou que a investigação seguirá nas esferas cível, administrativa e criminal, enquanto aguarda os primeiros resultados das diligências solicitadas aos órgãos federais.
